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* Você se considera um “liberal”, não “conservador”? ENTÃO, leia isso!


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O liberal não precisa ser um libertino ou um bobalhão sem opinião
Tenho reparado, de uns tempos para cá, que muita gente anda confundindo alhos com bugalhos quando se trata de liberalismo. Pensam que ser liberal é ser um libertino do tipo “liberou geral” e “vale tudo”, e que o liberal não deve ter opiniões firmes e convicções sobre ética ou estética. Ou seja, seria um bobalhão completo.
Percebi isso, por exemplo, quando critiquei uma geração cada vez mais desesperada para aparecer que, usando como instrumento o próprio corpo, mutila-se de maneiras extravagantes. Tatuar o branco do olho de vermelho ou preto, tatuar coisas horrendas na testa, ou mesmo implantar um soco-inglês de silicone no punho, tudo isso deve ser visto como “normal”, segundo eles.
Criticar, expressar repulsa ou aversão ao ato, ou julgar do ponto de vista psicológico o fenômeno, não seriam atitudes adequadas para um liberal. De onde tiraram isso? Só pode ser efeito de um “libertarianismo” bem mal calibrado e pouco compreendido na cabeça dos mais jovens, filhos da era moderna e “escravos” do zeitgeist, onde a máxima número um é “jamais julgar o próximo” (a menos que seja um conservador, religioso cristão ou heterossexual assumido).
Ontem tive mais uma evidência dessa corrupção do termo liberal. Coloquei a seguinte mensagem em meu canal do Facebook:
Sou, digamos, obsoleto. Nunca entendi direito porque a turma da rave diz que o DJ vai “tocar”. Tocar o que? Qual instrumento? Ele solta o play, mexe em alguns controles de mixagem, e a bala faz o resto. Divertido? Isso é subjetivo, claro. Mas tocar? Não. Rock? Jamais!
E não é que teve gente perguntando que tipo de liberal eu era por conta disso? Perplexidade. Agora, para ser um liberal, não posso nem mesmo questionar o verbo associado ao ato? Disc Jockey, no meu tempo (e acho que não mudou muito), faz mixagem, seleciona batidas, usa várias músicas cantadas por outros, tudo isso, mas não toca instrumento algum! A menos que tocar na tecla play seja análogo a tocar bateria ou guitarra.
Ainda que tocasse, que raios isso tem a ver com o liberalismo? Percebem aonde a coisa chegou? Se você emite uma opinião, um julgamento, sobre alguma coisa estética, então, para algumas pessoas, você não está apto a ser visto como um liberal. O liberal, pensam eles, deve se abster de todo julgamento ético e estético. É um ser amorfo. Um bobalhão.
Repudia publicamente o programa “Esquenta”, da Regina Casé, por fazer glamourização da pobreza e pela qualidade musical, digamos, questionável? Então não é um liberal! Considera que não é “apenas diferente” ter uma filha prostituta ou médica? Seu conservador carola e moralista! E por aí vai.
Curiosamente, esses jovens não percebem que, ao suspender todo julgamento, porque as preferências são subjetivas e tudo vale, eles precisam aplaudir o sucesso de vendas Michael Moore também. Ora, ele vende pilantragem socialista no livre mercado. O povo escolhe. Vai condenar? Não é liberal! E eis que o liberal, agora, é fã do socialista embusteiro…
Considero um dos grandes males da modernidade, filhote da ditadura “velada” do politicamente correto, essa mania de ninguém mais poder julgar nada. Além de ela ser seletiva, pois continuam julgando sim, só que apenas um lado da moeda (podem xingar evangélicos à vontade, machões do estilo faroeste, conservadores religiosos etc), é uma mania fatal para a sociedade.
Afinal, é justamente julgando e separando o joio do trigo que podemos evoluir, criticar o lixo e enaltecer o diamante. Não são “apenas diferentes”. 
Por fim, nada mais antiliberal do que querer calar a opinião, reprimir a crítica, censurar o julgamento alheio. Não é mesmo?

Deve o liberalismo ser amoral?
Escrevi um texto (leia acima) sobre a postura de algumas pessoas que confundem ser liberal com ser libertino ou ignorar qualquer debate sobre valores culturais. Gerou bastante polêmica. Um velho conhecido meu de debates, quem respeito apesar das divergências, fez o seguinte comentário, claramente em resposta ao meu artigo:
O liberal consciente escolhe suas batalhas, que geralmente dizem respeito ao relacionamento entre o estado e o indivíduo. Ele não sai por aí atirando a torto e a direito, condenando ações individuais que não lhe afetam. O seu lema é “viva, e deixe viver”. Ao contrário do conservador, o liberal não tenta transformar as outras pessoas na sua própria imagem e semelhança. Isso não tem absolutamente nada a ver com ser libertino ou bobalhão; isso chama-se tolerância, que é, aliás, uma virtude importantíssima se queremos viver em uma sociedade pluralista.
Como o comentário veio de alguém que é liberal e que considero inteligente e bem-intencionado, creio que cabe resposta, para aprofundarmos o debate, que considero de fundamental importância. Vale notar que o autor não é contra emitir opiniões, e sim fazê-lo enquanto liberal, ou em nome do liberalismo. Eis o que penso sobre isso.
O lema “viva, e deixe viver” é bonito na teoria, mas na prática pode levar a casos que colocam em xeque a própria sobrevivência do liberalismo. E minha principal objeção ao argumento levantado pelo colega é essa: quando o liberal entende que o ambiente de valores morais e culturais é crucial para a permanência do próprio liberalismo, que não nasce ou sobrevive em um vácuo de valores comportamentais, então, sim, ele deve emitir suas opiniões sobre comportamento mesmo enquanto liberal.
Um dos exemplos que podemos usar é o núcleo familiar enquanto instituição. Se o liberal acreditar que a família é crucial para segurar o avanço estatal e para preservar a transmissão de valores morais e culturais que garantem a manutenção da liberdade, então defendê-la publicamente contra constantes ataques que visam à sua destruição ou enfraquecimento será defender o liberalismo.
Outro exemplo, que o próprio autor do comentário tinha em mente ao escrevê-lo, diz respeito ao julgamento que emiti acerca de pessoas tatuando os próprios olhos. Não é um caso de tolerância ou pluralismo, como coloca o crítico em questão, pois, enquanto liberal, eu tolero, sim, essa atitude. Não quero intervenção estatal para impedi-la. Mas penso que, mesmo falando em nome do liberalismo, chamar a atenção para esse tipo de comportamento bizarro é aceitável e até desejável. Explico.
Ao tatuar os olhos, a pessoa não agride terceiros, apenas ela mesma. Mas se vivermos em um ambiente cultural onde esse tipo de coisa é visto como normal e, pior, criticar isso passa a ser sinônimo de “preconceito” ou moralismo, então acabaremos (se é que já não estamos lá) em uma sociedade que suspende todo tipo de julgamento estético em nome do politicamente correto.
Para mim, isso é um passo para a suspensão do julgamento ético. É o caminho do relativismo moral absoluto, onde vale tudo, pois tudo é normal. Se nada mais é objetivamente condenável, pois seria sinônimo de preconceito, então seremos vítimas de um mundo amoral. E, ao colocar o belo e o feio, o bom e o mau, o decente e o indecente em plano de igualdade, estaremos condenando o belo e enaltecendo o feio, condenando o bom e enaltecendo o mau.
Eu penso que esse tipo de mentalidade tem influência no próprio liberalismo. Adam Smith, antes de falar da riqueza das nações, escreveu sobre os sentimentos morais. A empatia pelo próximo, por exemplo, deveria ser valorizada, segundo o pensador escocês.
Mas pela ótica estritamente individualista e amoral, quem poderia dizer se é melhor demonstrar empatia ou simplesmente ignorar todos em volta? Live and let die… Desde que a pessoa não inicie agressão alguma contra terceiros, tudo estaria valendo. Isso é mesmo desejável do ponto de vista da sociedade? O liberalismo não corre mais riscos em um ambiente como esse?
Alguns desses liberais (ou libertários) chegam ao ponto extremo de condenar como antiliberal ter julgamento sobre comportamentos que não agridam outros. Exemplo: você defender que é melhor ser uma médica em vez de uma prostituta. Pensam que é mera questão de preferência subjetiva, tal como escolher entre azul e amarelo.
Mas pode uma sociedade minimamente decente (opa, quem saberia o que é decente?) sobreviver se a maioria realmente considerar que é simples questão de gosto pessoal colocar a medicina acima da prostituição do ponto de vista moral?
O “viva, e deixe viver” tampouco faz distinção entre o que cada um “escolhe” consumir. Se um escolhe gastar todo seu dinheiro em crack, e o outro escolhe investir na educação dos filhos, isso seria indiferente por essa ótica individualista (ou sociopata?).
Mas essa postura não afeta o liberalismo? Uma sociedade onde comprar drogas ou investir na educação dos filhos são vistos como uma pura questão de preferência individual (e ai de quem condenar isso, pois não é nada liberal expor enquanto liberal tais coisas), pode prosperar e resguardar as liberdades? Penso que não.
Por fim, vale citar ainda o argumento utilitarista e pragmático contra a opinião do colega. Do ponto de vista político e eleitoral, é simplesmente suicídio defender bandeiras “liberais” que, no fundo, mais parecem indiferentes a todo o entorno. Quem vender uma bandeira dessas dará um tiro no pé. Será que o liberal não deve se preocupar com eleições e “besteiras” do tipo? Bela forma de lutar pelo liberalismo…
O liberal não precisa ser um moralista chato, sem dúvida. Mas daí a pensar que ele deve ser amoral enquanto liberal, pois liberalismo é ligar o “dane-se” para o que todos fazem à sua volta, vai uma longa distância. Os valores morais e culturais podem e devem, sim, ser defendidos pelo liberal qua liberal, se ele, como é meu caso, entender que tais valores são fundamentais para preservar a própria liberdade.
PS: Se quiserem me chamar de conservador por isso, e não mais de liberal, fiquem à vontade. Os rótulos me preocupam menos do que a defesa daquilo que considero certo e melhor para preservar as próprias liberdades individuais. Mas acho importante defender que a pessoa não precisa abandonar o liberalismo para se preocupar com os valores morais da sociedade.
Autor: Rodrigo Constantino (Revista Veja)

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