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Gloriosa História da Igreja - I

A partir deste artigo, Voz da Igreja publica uma série sobre a gloriosa história da Igreja de Jesus Cristo, com fundamentação histórica e referências bibliográficas. Acompanhe e amplie os seus conhecimentos sobre o assunto.


Caverna de Sta. Inês, Ibiza (Espanha), onde os cristãos do primeiro século, ocultos dos perseguidores, celebravam a Santa Missa.

Nos primeiros anos da era cristã, logo após o Sacrifício de Jesus Cristo na Cruz, a Igreja ensaiava seus primeiros passos, e todo o mundo mediterrâneo era controlado por Roma, que dominava as nações dos continentes europeu, africano e asiático. O Grande Império Romano se estendia da Síria até Portugal, das Ilhas Britânicas até o Egito. O Imperador Otávio Augusto soube concentrar o poder em suas mãos, e o Império vivia um período de paz e prosperidade (a chamada Pax Romana).

A influência dos costumes e do pensamento dos gregos sobre o mundo mediterrâneo estimulava o interesse das pessoas pela filosofia e pela espiritualidade. Um grande fervor religioso atingia todas as camadas da sociedade romana. A crença nos deuses romanos, influenciada pela mitologia grega, tinha muito prestígio; esses deuses tinham muitos devotos, e também existiam muitas outras correntes religiosas surgindo e ganhando força: pregadores anunciavam seus deuses em cada esquina das ruas do Império. Vindos do Egito, através de Alexandria, chegavam as novas devoções à deusa Ísis e ao deus Serápis. Os fenícios adoravam seus baalins. Os orfistas acreditavam na existência de muitos mediadores entre o mundo dos deuses e o dos homens, os pitagóricos acreditavam no Logos... Outros se voltavam para Mitra, o deus-sol ariano, cujo culto se fortalecia com a astrolatria vinda da Caldeia.Havia também o culto sensual da deusa
romana Cibele, mãe de Pessinonte.

Fervia uma enorme diversidade de seitas e superstições por toda parte. Além dos muitos deuses sobrenaturais, havia ainda o culto aos soberanos. Trazido do Oriente, esse tipo de adoração a um ser humano como deus floresceu no Império. Quando morria um imperador, logo surgia um culto oficial à sua divindade, e, nas províncias orientais, o imperador era adorado ainda em vida.

Mas no meio dessa confusão de crenças, sempre houve um povo que fazia questão de manter a fidelidade a um só Deus, fugindo de todo o deslumbramento trazido pelas ideias pagãs. No exílio ou na Palestina, o pequeno povo de Israel não havia esquecido a fé dos seus antepassados, a fé no Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o Deus Criador e Uno que os tinha libertado da escravidão no Egito. Esse povo tinha consciência de ser a raça predestinada por Deus para trazer a Salvação ao mundo. Acreditavam que entre este Deus único e seu povo havia uma Aliança, cujo sinal e garantia estava na Torá, isto é, na Lei de Moisés que devia ser observada zelosamente.

A Lei era uma coletânea de preceitos éticos e religiosos fixados num conjunto de cinco livros sagrados, o Pentateuco. Ao lado do Pentateuco existiam outros livros históricos, proféticos e poéticos que formavam a coleção das Escrituras Sagradas do judaísmo: esta coleção de livros é o que nós, cristãos, chamamos hoje de Antigo Testamento da Bíblia.

E do judaísmo surgiu um grupo distinto, que se diferenciava dentre os judeus e de todos os demais grupos pagãos, por suas ideias renovadas, fundamentando sua fé mais no Amor divino do que na Lei escrita judaica ou no esoterismo dos pagãos. Eram os seguidores de Jesus, morto e ressuscitado: nesses primeiros tempos chamavam a si mesmos, justamente, de “seguidores do Caminho”. Para eles, o Caminho era o próprio Jesus Cristo, e não mais a letra da Lei.

A primeira geração dos seguidores do Caminho era conduzida por aqueles que andaram e aprenderam diretamente de Jesus, os chamados Apóstolos. Os Apóstolos transmitiram tudo que aprenderam e ouviram de Jesus aos seus sucessores, e assim começou a Tradição Cristã Católica. Cristã por se fundamentar em Cristo, Católica por ser universal, aberta a todos os povos, e não mais centrada no povo judeu, como era antes da vinda de Jesus. Católico quer dizer universal, isto é, o Povo de Deus, agora, era a multidão de pessoas que aceitavam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e não uma determinada raça.

Nos primeiros séculos após a crucificação de Jesus, não havia um cânon das Escrituras, isto é, a nossa Bíblia Cristã de hoje ainda não existia. Só muito depois, lá no final do século III, é que surgiu uma definição das Sagradas Escrituras. Por isso, juntamente com os livros sagrados judaicos, os primeiros cristãos observavam, principalmente, a instrução dos Apóstolos, e já surgia entre eles uma tradição muito rica a respeito de tudo o que Jesus ensinara, da vida dos santos mártires, da mãe de Jesus e da Igreja... Essas histórias e essa sabedoria foram sendo transmitidas de geração para geração, e parte delas ficaram registradas nos Evangelhos e no livro de Atos.

A palavra igreja vem do grego ekklesia, que referia-se a uma assembleia de pessoas, mas para os cristãos a palavra passou a ter um sentido mais especializado. Ekklesia ganhou o sentido de reunião dos crentes para comungar e adorar a Cristo.


** Ver a série História da Igreja completa

Fontes e referência bibliográfica:
LENZENWEGER, Josef et. al. História da Igreja Católica, 3ª ed. São Paulo: Loyola, 2006, pp. 9-12;
MONDONI, Danilo. História da Igreja, 3ª ed. São Paulo: Loyola, 2006, pp. 18, 21, 31,32.

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