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A formiguinha e a águia




Esta é uma estória para crianças. Transcrevo aqui como recordação das coisas que meu Pai me contava quando eu era pequeno. Meu pai faleceu sem dizer quem foi o autor da estória. Mas pela beleza e inocencia, acredito que possam ter algum proveito. O papel das estórias na formação das crianças é um fator fundamental. Despertar o senso de maravilhoso é ajudar a manter a inocencia e incentivar o gosto pela beleza.


PARTE I – A FORMIGA

Foi num dia muito especial, desses em que o sol desfila com sua majestade e brilho, que em certo formigueiro, nasceu uma formiguinha. Logo ao nascer, observava tudo. Um movimento de formigas que vem e que vão... Viu uma abertura com um clarão. Foi em busca dessa abertura e ao sair do formigueiro, ela ficou completamente paralisada: Quanta beleza! Quanta maravilha! Ela ficou encantada com o brilho do sol, com as flores coloridas e perfumadas, com tudo que estava em sua volta. Ela estava tão entusiasmada com tanta beleza na natureza e com as coisas grandiosas que Deus fez, que teve a certeza de que não nascera para morar naquele formigueiro no meio da terra, num buraco escuro no chão...

Sentiu logo de cara que tinha nascido para uma grande vocação. Viver em buracos no chão, escuro, em galerias subterrâneas... não era para ela.

Não, realmente aquela formiguinha não tinha nascido para o comum. Ela tinha algo de especial. Um brado de grandeza clamava para uma coisa maior. A formiguinha ouvia para além do horizonte um eco de sublimidade que a chamava. Grandeza e Glória: eram essas as palavras que moviam sua vocação. Foi assim que ela deixou o formigueiro e a vida comum das formigas e partiu.

Em sua caminhada se deparou com uma grande floresta. Parou e pensou se não seria arriscado demais entrar naquela floresta assustadora. Pensou até em voltar ao formigueiro. Mas uma voz mais forte a chamava para além daquilo: Grandeza e Glória. Ela tinha que seguir. Se tivesse coragem de adentrar aquela densa floresta, certamente teria a Grandeza e a Glória. E assim fez.

(Porém, na verdade, aquilo não era nenhuma floresta, mas simplesmente um gramado. Mas para a formiguinha que era pequenina tudo aquilo era uma imensa floresta.)

Continuou heroicamente a caminhas pela densa grama, mas não achava nem a Grandeza e nem a Glória. De repente a formiguinha encontrou uma enorme pedra de ouro, tão grande e dourada que ela pensou: achei a Grandeza e a Glória. Com esse ouro terei Grandeza e muita Glória.

(Contudo não era nenhuma pedra de ouro. Era tão somente um grão de milho que estava no caminho. Mas para a formiguinha aquilo era uma pedra de ouro.)

Porém tão grande, tão pesada, que a formiguinha não conseguia nem sequer levantar do chão. Então, muito triste, resolveu deixa-la para traz, pois não conseguia carrega-la mesmo.

Avante! Vamos para frente! Depois de algum tempo de caminhada a formiguinha se deparou com um rio enorme... Ora essa! Que rio maravilhoso – pensou. Se eu conseguir atravessa-lo certamente falarão que comigo está a Grandeza e a Glória. Mas como atravessar esse rio?

(Na verdade era um pequeno filete de água que escorria pelo caminho, mas para a formiguinha aquilo, sem duvida era um grande rio).

Percorrendo a margem do "rio", rezava para que Nossa Senhora lhe desse coragem. Só pensava em encontrar a Grandeza e a Glória. De repente um vento sacode as plantas e uma das folhas se curva e faz uma pequena ponte. A formiga se alegrou, atravessou correndo pela ponte e logo do outro lado se ajoelhou para agradecer milagre tão estupendo. Mas logo que se levantou, caiu em si: “Que mérito tive eu em atravessar o rio?” Então partiu novamente, sempre na linha do horizonte em busca da Grandeza e da Glória.

O cansaço vinha chegando. Andava, andava... sem parar, sem qualquer descanso. De repente mais uma surpresa: e dessa vez surpresa com requinte, pois viu uma coisa brilhante na ponta de uma flor. Seria um cristal? Correu ao encontro do cristal e viu um objeto mais brilhante ainda no chão. Agora sim, um cristal e um belíssimo diamante.

(Na verdade aquele diamante, não passava de um cristal de açúcar, mas para a formiguinha aquilo era um diamante, e o cristal, nada mais do que uma gota de orvalho)

Dessa vez não mediu esforços. Subiu na flor para apanhar o cristal, mas ao chegar perto o cristal rolou e sumiu na terra. Qual não foi a tristeza da formiga. Mas ainda havia o diamante. Pôs o diamante nas costas e levou consigo para a sua Grandeza e Glória.

Já caminhava há muito tempo. O cansaço dominava-lhe todo o corpo. Não sabia ao certo para onde estava indo. Pensou até em desistir da caminhada e voltar ao formigueiro. Mas sabia que algo lhe chamava para a sublimidade ainda maior. Pensava: "Se Deus colocou no meu caminho tantas maravilhas como ouro e diamante, que coisas estarão me aguardando no final deste caminho ? Não, não posso desistir agora. Sinto que a grandeza para o qual fui chamado é muito maior do que tudo isso, vale a pena qualquer sacrifício." E assim, como chegava a noite, resolveu dormir para prosseguir a viagem no dia seguinte.

A formiguinha admirava a noite, as estrelas e o brilho misterioso da lua, e cada vez mais sentia forças para prosseguir sua caminhada.

Ao amanhecer teve uma agradável surpresa. Foi acordada pelo canto de uma cigarra. Depois de procurar ardente cantor, se aproximou. Mas a formiguinha pensava se tratar de um anjo, pois nunca tinha ouvido tal cantoria. Além do mais tal cantor tinha asas, certamente era um anjo enviado para lhe mostrar a Grandeza e a Glória. Depois de admirar o canto diferente, elogiou-o e disse que não poderia ir embora sem presentear aquele anjo com um maravilhoso diamante. Que com esse presente queria que o anjo lhe indicasse onde estão a Grandeza e a Gloria.

A cigarra muito agradecida tratou logo de saborear aquele "cristal", aquele grãozinho de açúcar tão saboroso. Estranhando o que a formiga lhe pedia, mesmo assim indicou: “Vá adiante, que a Grandeza e a Glória lhe esperam”

Assim a formiguinha prosseguiu a caminhada alegremente. Agora com a certeza das palavras do Anjo.

Depois de muito caminhar, parou espantada:

- Por isso que a terra é tão iluminada desse jeito. Com tantos sóis iluminando-a... E que interessante, como esses sóis são perfumados...

(Mas não eram sóis, eram laranjas madurinhas penduradas em uma laranjeira, mas para a formiguinha aquilo eram sóis.)

Atrás da “árvore dos sóis”, havia algo que a formiguinha jamais tinha visto. Aquilo lhe dava uma sensação de Grandeza e de Glória jamais encontrada. Ao mesmo tempo uma tranqüilidade de espírito tão grande...

Ela sabia. Tinha chegado. Ali estavam a Grandeza e a Glória...


PARTE II – A ÁGUIA

Enquanto isso, do outro lado da floresta, havia uma montanha alta e escarpada. A vida de quem ali mora é grandiosa, cheia de epopéia, de glória, de horizontes grandiosos, de maravilhas especiais. Ali, do alto da montanha, se enfrentam ventos bravios, tempestades, raios e trovões...

Ali está a águia, entre as rochas sólidas, no topo da montanha, fitando o horizonte e cuidando do seu ninho. Toda a manhã sai de seu ninho para fazer seu vôo majestoso.

No ninho, dois filhotes da águia. Abrindo os olhos eles admiravam o horizonte. Para certas criaturas a grandeza faz parte de sua vida. Ao começar a voar, um dos filhotes subiu muito alto e fitando o sol bradou: “oh sol! oh horizonte! Não haverá Grandeza e Glória maiores que vós?”

E assim o filhote de águia sentiu no peito um chamado do céu. Tua vocação é a grandeza e a glória.

Assim, tomou uma decisão: não voltaria mais à montanha escarpada, pois a Grandeza e a Glória a esperavam.

Depois de muito voar, achou um castelo. Um castelo com muralhas grossas e torres majestosas. Pensou: o castelo é voltado para as grandes guerras, haverá muitos heróis e muita Grandeza. Devo ficar aqui. Procurou a melhor torre e ali fez sua morada.
De lá observava tudo. Pensava que ali teria encontrado a verdadeira Grandeza e a verdadeira Glória. No entanto começou perceber que muitas guerras se davam por vaidades, torneios sem fundamento por mero orgulho... buscavam não a verdadeira glória, mas a vã glória.

A águia viu então que não era naquele castelo com torres fortíssimas que morava a verdadeira Grandeza, a verdadeira Glória.

Levantou vôo e foi para a imensidão azul do céu, nas alturas da epopéia para encontrar a verdadeira Grandeza, a verdadeira Glória.

Voou muito, percorreu muitos campos e serras e avistou ao longe, um palácio. Foi se aproximando e voando em círculos. Observou a delicadeza e a elegância das torres e de toda a construção. Aquilo tudo era tão maravilhoso que a águia chegou a pensar: Aqui realmente estão a Grandeza e a Glória.
Procurou uma das mais belas torres, e ali fez sua morada.

No entanto o palácio era sacudido constantemente por revoltas, traições, jogos de interesses políticos, bajulações e compra de prestígios, golpes de estado...

Que decepção! A águia viu que não estava naquele majestoso palácio a verdadeira Grandeza, a verdadeira Glória.

Mais uma vez, levantou vôo e foi para a imensidão azul do céu. Dessa vez voou muito alto, e por muito tempo, com velocidade que só os que anseiam por grandeza tem a coragem de se enveredarem.

E tendo observado muitos lugares pelos quais passou, em nenhum deles encontrou a verdadeira Grandeza, a verdadeira Glória.

Por fim depois de voar dias e mais dias, avistou um lugar de muita Grandeza. Mas desconfiada, voou ao redor por várias vezes. Mas algo ali acontecera. Um som metálico saído de uma das torres convidava a águia a ali pousar. Logo em seguida um coro de vozes serenas entoavam uma bela canção que se elevava até o céu. Ali havia verdadeira Grandeza e verdadeira Glória.

Nessa torre a águia fez sua morada e sentiu em sua alma e em seu coração a Grandeza e Glória que jamais havia sentido em toda a sua vida.
No entanto ela não estava só: logo abaixo havia uma pequena formiguinha cavando um buraquinho para fazer sua morada também.
Era a torre de uma belíssima igreja de onde se ouvia o som metálico dos sinos e o canto suave do gregoriano dos monges de Nossa Senhora.

Ali se trava a maior de todas as guerras: a luta contra si mesmo, uma vida de orações e sacrifícios. Ali Nossa Senhora vence, e o demônio é derrotado.
Ali se tem a maior de todas as Grandezas e a maior de todas as Glórias, pois no sacrário está verdadeiramente Nosso Senhor 

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