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Como se vive é como se morre


Morte de um pecador (Stalin)

Eis como Svetlana Alliluyeva, filha do ímpio Stalin –– o tirano que durante décadas dominou a Rússia soviética ––, narra a morte de seu pai, no livro Vinte cartas a um amigo:

“A respiração fazia-se cada vez mais ofegante. Nas últimas doze horas tornou-se claro que a fome de oxigênio crescia. A face escurecia e se alterava. Gradualmente seus traços tornavam-se irreconhecíveis, os lábios negros. Na última hora, ele simplesmente foi se sufocando. A agonia foi espantosa. Um homem era estrangulado sob os olhares de todos. Já no último minuto, de repente, ele abriu os olhos e os voltou para todos aqueles que estavam à sua volta. Foi um olhar terrível, talvez louco, talvez furibundo e cheio de terror em face da morte. Foi uma coisa incompreensível e horrível, que não entendo, mas não posso esquecer: ele ergueu improvisadamente para o alto o braço esquerdo e com ele apontou para o alto ou talvez ameaçou a todos os que ali estavam presentes. O gesto permaneceu incompreensível, mas foi cheio de ameaça... No instante seguinte a alma, feito o último esforço, se destacou do corpo”.


Morte de uma santa (Santa Teresinha)

E Olhando para um crucifixo, exclamou:

"’Ó... Amo o meu Deus, eu Vos amo’.

Foram essas suas últimas palavras. Mal acabava de as proferir quando reergueu-se de improviso, como se a chamasse uma voz misteriosa, abriu os olhos e fixou-os, brilhantes de paz celestial e de indizível júbilo, um pouco acima da imagem de Nossa Senhora. Este olhar prolongou-se pelo espaço de um Credo, e sua alma ditosa voou então para o Céu’” (História de uma Alma, Vozes, Petrópolis, 6ª ed. brasileira, 1927, p. 342).

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