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A narrativa da Criação deve ser entendida ao pé da letra?


Muitos alegam que a Bíblia é uma farsa por contar uma história fantasiosa no livro do Gênesis que se choca até mesmo com teorias científicas coerentes. Diante disso, seria absurdo crer em Deus, nas Escrituras ou no cristianismo por ser irracional ou contrário à razão natural. Será que isso procede?
A crítica não encontra qualquer fundamento contra a teologia católica. Esse modo fundamentalista de pensar e interpretar as Sagradas Escrituras é um erro amplamente reprovado pela Igreja. O doutor angélico no exorta à respeito do tema:
"Como a divina Escritura pode ser exposta em muitos sentidos, ninguém deve aderir a uma exposição de maneira tão precisa, a ponto de ser a Escritura objeto de irrisão para os infiéis, aos quais se fecharia, então, a via para a crença, se se estabelecesse, por uma razão certa, como falso aquilo que se presumia ser o sentido escritural."Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, Ia, q. 68, a. 1
Deste modo, quando se tem uma interpretação que vai contra a filosofia ou ciência verdadeira e certa, deve-se abandoná-la e reconhecê-la como falsa. Fazer o contrário seria motivo de descrença à respeito das Sagradas Escrituras, já que o intérprete foi quem errou. Notemos que é a Igreja sempre tomou como uma de suas regras de fé a razão natural.
É evidente que o Gênesis trata certamente de verdades de fé, mas não de verdades científicas, embora possa haver muitas delas que podem vir a ser encontradas. Temos como exemplo a narração sobre a serpente. É evidente que o demônio é um ser espiritual e não um animal físico que é capaz de falar como um humano e que o pecado original não foi comer um simples fruto, mas o fato de romper a fidelidade com Deus.
Portanto podemos ver que o sentido literal, que é o sentido que expressa o que realmente se quis dizer, não comporta esta visão fantasiosa que muitos assumem ser a intenção do autor.
Desde os primórdios do cristianismo podemos ver que nunca se tomou o livro de forma fantasiosa. Vejamos por exemplo um cristão do século II:
"Pois quem tem entendimento vai supor que o primeiro e o segundo e terceiro dia existiram sem o sol e a lua e as estrelas, e que o primeiro dia foi, por assim dizer, também sem um céu?… Eu não suponho que alguém duvide que essas coisas indicam figurativamente certos mistérios, sendo que a história ocorreu em aparência e não literalmente." Orígenes [225 d.C.], As Doutrinas Fundamentais 4:1:16
Ou ainda demonstrado por um dos maiores doutores de nossa Igreja:
"Não raro acontece que algo sobre a terra, sobre o céu, sobre outros elementos deste mundo (…) possa ser conhecido com a maior certeza pelo raciocínio ou pela experiência, até mesmo por quem não é cristão. É muito vergonhoso e desastroso, porém, e muito digno de ser evitado, que ele [o pagão] deva ouvir um cristão falar tão estupidamente sobre estas questões, e como se de acordo com escritos cristãos (…)"Santo Agostinho de Hipona [408 d.C.], A Interpretação Literal do Gênesis 1:19-20
É sempre bom reafirmar o que diz o Catecismo, que demonstra o valor das descobertas científicas para a fé:
"Muitos estudos científicos… enriqueceram esplendidamente o nosso conhecimento sobre a idade e as dimensões do cosmo, o desenvolvimento de formas de vida, e o aparecimento do homem. Estes estudos nos convidam a uma maior admiração pela grandeza do Criador."Catecismo da Igreja Católica, §283
Reforço tal doutrina com o ensinamento de que as Escrituras tratam da fé e não de ciência:
"Com as escrituras, é uma questão de tratar sobre a fé. Por essa razão, como já observei várias vezes, se alguém, sem entender o modo de eloquência divina, encontrar alguma coisa sobre estas questões [sobre o universo físico] em nossos livros, ou ouvir o mesmo desses livros, de tal natureza que pareça estar em desacordo com as percepções de suas próprias faculdades racionais, que ele acredite que essas outras coisas não são de modo algum necessárias às admoestações ou contas ou previsões das escrituras. Em suma, deve-se dizer que os nossos autores sabiam a verdade sobre a natureza dos céus, mas não foi a intenção do Espírito de Deus, que falou através deles, ensinar aos homens tudo o que não seria de utilidade para sua salvação"Santo Agostinho de Hipona, [408 d.C.], A Interpretação Literal do Gênesis 2:9
Bendito e adorado seja Deus Criador por nos transmitir sábios ensinamentos nas Sagradas Escrituras e por permitir ao homem descobrir e admirar-se com a grandeza e profundidade da Criação cada vez mais, contemplando a grande Inteligência, Ordem e Sabedoria do Pai Celeste.

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