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Matrimônio – O que o Shrek e o Papa Francisco têm a nos ensinar

shrek_familia
Quando algum jovem me pergunta como é a vida de casado, eu respondo: assista aos filmes do Shrek! Nessa quadrilogia, o casal mais zoado e esculhambado dos filmes de animação fala sério quando o papo é matrimônio. E o melhor: tudo isso com uma visão muito positiva sobre os filhos e a família. Juntos, Shrek e Fiona ajudam um ao outro a ser pessoas melhores!
O matrimônio é também um trabalho para realizar em cada dia, poderia dizer um trabalho artesanal, uma obra de ourivesaria, uma vez que o marido tem a tarefa de fazer com a sua esposa seja mais mulher, e a esposa tem o dever de fazer que com que o marido seja mais homem. É preciso crescer também em humanidade, como homem e como mulher.
- Papa Francisco. Discurso aos Noivos. 14/02/2014

Acompanhe a seguir o que os quatro filmes de Shrek podem nos ensinar sobre o matrimônio.
Shrek
Em meio a arrotos, peidos e petiscos nojentos, Shrek e Fiona vão descobrindo as afinidades e superando os preconceitos. O casal tem química e a atração é evidente, mas é preciso muito mais do que isso para o amor dar certo: Shrek precisa superar os traumas e defeitos que adquiriu em toda uma vida de segregação e isolamento, enquanto Fiona deve aprender que o amor é algo bem mais profundo do que imagina em seus sonhos melosos, e que seu futuro marido não necessariamente precisa se encaixar na figura de um príncipe elegante e encantado.
Shrek percebe que a princesa fresca é, na verdade, uma mulher destemida e forte; ela, por sua vez, encontra no ogro rude as qualidades de um bom marido: viril, protetor, engraçado, íntegro e… gentil (quem diria)!
O casamento só acontece no final do filme, mas o enredo é rico em reflexões para os noivos e casados. Os defeitos de ambos não somem como um passe de mágica, só porque estão apaixonados. Mas essas limitações e obstáculos não impedem que Shrek e Fiona se lancem na aventura de dizer “sim” um ao outro.
Alguns são chamados a se santificar constituindo uma família através do sacramento do Matrimônio. Há quem diga que hoje o casamento está “fora de moda”; Está fora de moda? Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã.
Em vista disso eu peço que vocês (…) se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”.
- Papa Francisco. Discurso em 28/07, durante a JMJ Rio2013 


Shrek 2
Ao ritmo de “Accidentally in love”, é hilário (e muito fofo também) ver Shrek e Fiona curtindo a vida em comum. Não dá para o casamento ser assim o tempo todo, mas é preciso sabedoria e para cultivar sempre o prazer de estar ao lado de quem se ama.
Vem ao meu pensamento o milagre da multiplicação dos pães: também para vós, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e conceder-vo-lo vigoroso e bom todos os dias. Ele possui uma reserva infinita de amor! E oferece-vos o amor que está no fundamento da vossa união, enquanto o renova todos os dias, fortalecendo-o. Além disso, torna-o ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho é importante, é sempre necessária a oração. Ele por ela, ela por ele, e ambos juntos. Pedi a Jesus que multiplique o vosso amor. Na oração do Pai-Nosso, nós dizemos: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Os cônjuges podem aprender a rezar com estas palavras: “Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje”
Papa Francisco. Discurso aos Noivos. 14/02/2014




Mas, se depois da tempestade sempre vem a bonança, o contrário também é verdadeiro. A vidinha perfeita do casal de ogros começa a vislumbrar a primeira crise… É chegado o dia em que Shrek teve que encarar o pai da moça, que odeia ogros e não faz a menor questão de esconder isso.
Tudo piora com a postura de Shrek, que não têm a menor paciência com as grosserias do sogrinho e chuta o pau da barraca. Assim são muitos jovens de hoje, que pensam: “não gosto do pai (ou da mãe) dela(e), mas isso não importa, estou casando somente com ela(e), não com seus pais”. Ah, tolinhos…
Orgulhoso e intempestivo, Shrek só quer ir embora e voltar para a paz do seu pântano. Ele não se dispõe a fazer nenhum esforço para mudar e se entender com o Rei Harold, e acaba magoando Fiona com sua arrogância. E ela lhe diz: “Lembre-se, Shrek; eu mudei muito por você!”.
Contudo, ouvi bem isto: saber entrar com amabilidade na vida dos outros. E não é fácil, isto não é fácil. Por vezes, recorremos a maneiras um pouco pesadas, como determinadas botas de montanha! O amor autêntico não se impõe com aspereza nem com agressividade. (…)
Todos nós sabemos que não existe uma família perfeita, ou um marido perfeito, ou uma esposa perfeita. Nem sequer falemos de uma sogra perfeita… Existimos nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: nunca devemos terminar o dia sem pedir perdão, sem que a paz volte ao nosso lar, à nossa família. É normal que os esposos discutam, há sempre algo sobre o que discutir. Talvez tenhais discutido entre vós, talvez tenha voado um prato, mas por favor, recordai-vos disto: nunca termineis o dia sem fazer as pazes! Nunca, nunca, nunca! 
Papa Francisco. Discurso aos Noivos. 14/02/2014


Shrek Terceiro
O ogro descobre que vai ser papai. Reação: medo e ansiedade.
Shrek não recebeu amor dos pais, e assim teme que não consiga ser um bom pai também. Além do mais, crianças são bagunceiras e barulhentas… Como será a vida com elas?
De um lado, temos Fiona, cuja postura é exemplar para os católicos: vê a chegada de uma nova vida como uma bênção. De outro, temos Shrek, que encarna a mentalidade antinatalista de nossa época, que vê os filhos como um estorvo. Por isso, muitos pensam que quando menos filhos tiverem, melhor.
Estes matrimônios que não querem os filhos, que querem permanecer sem fecundidade. Esta cultura do bem-estar de dez anos atrás convenceu-nos: “É melhor não ter filhos! É melhor! Assim tu podes ir conhecer o mundo, de férias, podes ter uma casa no campo, tu estás tranquilo”…
Mas é melhor talvez – mais cômodo – ter um cãozinho, dois gatos, e amor vai para o cão e os dois gatos. E verdade isto, ou não? Já viram isto, não é? E no final este matrimônio chega à velhice em solidão, com a amargura da triste solidão. Não é fecundo, não faz aquilo que Jesus faz com a sua Igreja: fá-la fecunda.
Papa Francisco. Homilia da Residência de Santa Marta. 02/06/2014


Shrek Para Sempre
Dos filmes da quadrilogia, esse é o MAIS RELEVANTE para a reflexão do tema matrimônio. Se você só puder ver um dos filmes, priorize esse.
A vida com os filhos e a esposa deixou de ser percebida fonte de felicidade por Shrek. A rotina assoberbante que envolve o cuidado com os filhos e a casa começa a pesar, a ponto de parecer um fardo. O trailler abaixo resume bem essa tensão:
Os velhos tempos de solteirice, que eram solitários e vazios, mas agora lhe vêm à mente como uma época de leveza e liberdade. Alimentando esse pensamento, Shrek corre o risco de perder sua família para sempre. Grande será a luta para ele reconquistar aqueles que ama; será preciso sofrer para redescobrir a intensa alegria de viver em meio às fraldas sujas, mamadeiras, brinquedos espalhados pela casa, choros e risos de crianças!
A vida matrimonial deve ser perseverante. Porque, ao contrário, o amor não pode andar em frente. A perseverança no amor, nos momentos belos e nos momentos difíceis, quando existem os problemas: os problemas com os filhos, os problemas econômicos, os problemas aqui e ali. Mas o amor persevera, vai em frente, sempre tentando de resolver as coisas, para salvar a família. Perseverantes: levantam-se em cada manhã, homem e mulher e levam para a frente a família.
Papa Francisco. Homilia da Residência de Santa Marta. 02/06/2014
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