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A Páscoa e a Eucaristia



A Instituição da Páscoa Israelita, é "figura" da nossa, por causa do Cordeiro Imolado no centro de uma refeição sagrada "nacional" da qual toda a comunidade israelita participa, entrando em comunhão uns com os outros e com Deus, santificando-se através da vítima do sacrifício que se imola e se come: não é "ela" a nossa Páscoa, a nossa Eucaristia, onde Cristo é "nossa Páscoa imolada" (cfr. 1Cor 5,7), e não a denominamos genericamente de "comunhão"? A Páscoa foi instituída quando e em comemoração da saída do Povo de Deus do Egito e deveria ser comemorada em família, como uma espécie de refeição sagrada "nacional", por ser uma festa e um sacrifício (Ex 12,25-28 / Nm 9,13), presidida pelo pai, que atuava como sacerdote. Posteriormente, com a centralização do culto, na "reforma" de Josias, passou a ser imolada no Templo pelo sacerdote, que derramava o sangue no altar, prosseguindo-se o cerimonial em família ou com amigos ou parentes, em outros lugares (Dt.16,5-7 / 2Cro 30,15-17; 35,10-14), assim vigorando ao tempo de Cristo. Algumas significações se incorporaram ao cerimonial tais como, dentre elas, além da de um banquete, a de libertação e a de Aliança, e até mesmo Messiânica. A libertação que impregna a celebração da Páscoa não se resume ao aspecto político de um povo em busca de sua realização nacional, mas tem o sentido especificamente religioso que inaugura a formação do "Povo de Iahweh - Deus", em cumprimento da Aliança com Abraão, e ratificada em várias oportunidades: 
"Eu farei de ti um grande povo..." (Gn 12,2). "... teus descendentes serão estrangeiros num país que não será o deles... (...) ... sairão com grandes bens" (Gn 15,13-14). "('Jacó') Não temas descer ao Egito, porque lá eu farei de ti uma grande nação" (Gn 46,3). ('Egito') "Deus lembrou-se da sua Aliança com Abraão, Isaac e Jacó" (Ex 2,24)."Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito... (...) Por isso desci a fim de libertá-lo..., e para fazê-lo subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa..." (Ex 3,7-8). 
Por esse motivo, com Moisés, anuncia a última "praga" para a saída do Egito: 
"Iahweh disse a Moisés: 'Farei vir mais uma praga ainda contra o Faraó e contra o Egito. Então ele vos deixará partir (...) e ele até mesmo vos expulsará daqui. (...) Assim diz Iahweh: à meia-noite passarei pelo meio do Egito. E todo o primogênito morrerá na terra do Egito... Mas, entre todos os filhos de Israel, desde os homens até os animais, não se ouvirá o ganir de um cão, para que saibais que Iahweh fez uma distinção entre o Egito e Israel" (Ex 11,1-7). 



E imediatamente institui a Páscoa, vinculando os dois acontecimentos em um só fato: 
"Este mês será para vós... o princípio dos meses... : Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa... O cordeiro será macho, sem defeito e de um ano... (...). ...; e toda a assembléia da comunidade de Israel o imolará ao crepúsculo. Tomarão do seu SANGUE e pô-lo-ão sobre os dois marcos e a travessa da porta... (...). ...; o que, porém, ficar até pela manhã, queimá-lo-eis ao fogo. NÃO ("se lhe") QUEBRARÁ OSSO ALGUM ('cfr. texto grego e Ex 12,46'). É assim que devereis comê-lo: com os lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis às pressas: é uma PÁSCOA para Iahweh. E naquela noite eu passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e eu, Iahweh, FAREI JUSTIÇA SOBRE TODOS OS DEUSES DO EGITO. O SANGUE, porém, será para vós um sinal nas casas em que estiverdes: quando eu vir o SANGUE, passarei adiante e não haverá entre vós o flagelo destruidor... Este será para vós um MEMORIAL e o celebrareis como uma festa para Iahweh; ... é um decreto perpétuo. (...). Quando vossos filhos vos perguntarem: 'Que rito é este?', respondereis: 'É o SACRIFÍCIO DA PÁSCOA PARA IAHWEH que passou adiante das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios, mas LIVROU NOSSAS CASAS..." (Ex 12,2-28). 


Mesmo que o texto nada diga, a instituição traz todos os integrantes de um sacrifício (a vítima imolada em oferenda a Iahweh, o sangue "derramado nas casas" como "vida" e proteção do Povo de Deus, a refeição sagrada compartilhada por familiares, a queima do que sobeja por ser "santo"), e possui duas características fundamentais: foi diretamente determinada pelo próprio Deus, para ser celebrada como um MEMORIAL (Gn 9,14-15 "...eu me lembrarei...") e estava vinculada indestacavelmente à ALIANÇA pela libertação do Povo por Iahweh, "que se LEMBROU da sua ALIANÇA com Abraão, Isaac e Jacó" (Ex 2,24). Além disso, a expressão "Farei justiça sobre todos os deuses do Egito" e "a morte dos primogênitos do Egito" têm um significado profundamente religioso, a partir de uma instituição muito cara aos antigos: a PRIMOGENITURA, que, evidentemente, era estruturada com base nos primogênitos, na concepção deles, "aqueles que abrem o seio materno" (Ex 13,2) e se destinavam ao sacerdócio (Nm 3,45). 
Era tão séria a instituição que, por não a respeitar, Caim teve sua oferenda rejeitada por Deus, que acolheu o sacrifício de Abel por ter oferecido "os primogênitos de seu rebanho" (Gn 4,4); na relação das genealogias só se mencionava o nome deles (Gn 5), e quando se mencionavam os outros nomes o deles era o primeiro (Gn 10); o desprezo de Esaú por ela (Gn 25,29-34) fê-lo perdê-la, ocasionando inimizade mortal entre ele e Jacó, que usurpou "sua bênção" (Gn 27), muito cobiçada, por sinal. A ameaça de Deus ao Faraó de eliminar todos eles do Egito (Ex 11,4-10) e o cumprimento dela ocasionou a expulsão dos israelitas pelo Faraó (Ex 12,31-33), terminando este por dizer: "...parti e abençoai a mim também" (12,32), por se submeter e se render ao poder de Deus que, ao mesmo tempo que eliminou os dos egípcios poupou os dos israelitas, vencendo e assim "fazendo justiça sobre os deuses do Egito". Em conseqüência, foram os dos israelitas oficialmente "consagrados a Iahweh, homens e animais; aqueles para seu serviço e estes para o sacrifício" (Ex 13). No deserto, quando da unificação do sacerdócio, todos os dos homens foram "substituídos", no sacerdócio que já exerciam, pelos Levitas (Nm 3,45 e 8,14-18). São eles ('inexistia outra possibilidade') os que são mencionados como "sacerdotes", antes da sua oficialização e unificação nos levitas (Ex 19,22.24) e os "jovens que ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão" no Sinai (Ex 24,5), quando da ratificação da ALIANÇA: 
"Moisés escreveu todas as palavras de Iahweh; e, levantando-se de manhã, construiu um altar... Depois enviou alguns jovens dos filhos de Israel, e ofereceram os seus holocaustos e imolaram a Iahweh novilhos como sacrifício de comunhão. Moisés tomou a metade do sangue e colocou-a em bacias, e espargiu a outra metade do sangue sobre o altar. Tomou o Livro da Aliança e leu para o Povo; e eles disseram: 'Tudo o que Iahweh falou, nós o faremos e obedeceremos.' Moisés tomou do SANGUE e o aspergiu sobre o Povo, e disse: 'ESTE É O SANGUE DA ALIANÇA QUE IAHWEH FEZ CONVOSCO, através de todas essas cláusulas" (Ex 24,1-8) 

 Viu-se como entre os antigos os PRIMOGÊNITOS eram destinados, além da chefia do clã, ao exercício do sacerdócio, motivo da "justiça de Iahweh sobre os deuses do Egito". Com a morte deles estava destruída a religião egípcia, inexistindo o sacerdócio que era exercido por eles. A Páscoa então comemora também este fato que caracteriza a perenidade do sacerdócio israelita (Ex 19,6), "Meu Filho Primogênito" (Ex 4,22s), e em conseqüência, a da Aliança: 
"... Iahweh... lhe disse: 'Assim dirás à Casa de Jacó... Vós mesmos vistes o que eu fiz aos egípcios... Agora, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha Aliança, sereis para mim uma propriedade peculiar entre todos os povos, porque toda a terra é minha. Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. (...) Veio Moisés... expôs diante deles todas estas palavras que Iahweh lhe havia ordenado. Então todo o povo respondeu: 'Tudo o que Iahweh disse, nós o faremos" (Ex 19,3-8). 
"Tomou o Livro da Aliança e o leu para o povo; e eles disseram: 'Tudo o que Iahweh falou, nós o faremos e obedeceremos.' Moisés tomou do sangue e o aspergiu sobre o povo, e disse: 'Este é o Sangue da Aliança que Iahweh fez convosco, através de todas essas cláusulas" (Ex 24,7-8). 

Iahweh havia dito ao Faraó por meio de Moisés: 
"Assim falou Iahweh: 'o meu primogênito é Israel'. E eu te disse: 'Faça partir meu filho, para que me sirva!' Mas, uma vez que recusas deixá-lo partir, eis que farei perecer o teu filho primogênito" (Ex 4,22-23). 

 E é o próprio Jesus que ao instituir a Eucaristia, após o ritual da PÁSCOA DOS JUDEUS, vincula tudo isto ao que denominou Nova Aliança, institui o Sacerdócio dela e inclui o Memorial. É Ele que as relaciona, mostrando assim o "pleno cumprimento" (Mt 5,17) que Ele mesmo lhes imprimiu: 
"Bebei dele todos, pois isto é o MEU SANGUE, O SANGUE DA ALIANÇA, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados" (Mt 26,27-28; Mc 14,24; Lc 22,20; 1Cor 11,25). 
"Este cálice é a NOVA ALIANÇA EM MEU SANGUE; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em MEMÓRIA DE MIM" (1Cor 11,25). 

É por isso tudo que São Paulo, São João e São Pedro têm condições para dar a Jesus o título de CORDEIRO identificando-O ao PASCAL: 
"Pois NOSSA PÁSCOA, Cristo, foi imolada" (1Cor 5,7). 

Em São João é preciso combinar o brado de João Batista com a conclusão do Evangelista quando Jesus morre na Cruz, partindo-se da "figura" do cordeiro anunciado pelo Servo de Deus (Is 53,7.12), vai-se num "crescendo" até atingir a do Cordeiro Pascal na Cruz: 
"No dia seguinte, ele ('João Batista') vê Jesus aproximar-se e diz: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo' (Jo 1,29). "Ao ver Jesus que passava, disse: 'Eis o Cordeiro de Deus'" (Jo 1,36). 
"Chegando a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas (...), pois isto sucedeu para que se cumprisse a Escritura: 'Nenhum osso lhe será quebrado' (Jo 19,33-37). 

"Porque isto sucedeu para que se cumprisse a escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado" - São João Evangelista identifica Jesus com o Cordeiro Pascal. Este fato nos leva à Instituição da Eucaristia feita após a Ceia Pascal Israelita: 
"E, chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos. E disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus " (Lc 22,14-16). 
Vê-se que após a Ceia Pascal dos judeus, com as palavras "tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus", Jesus encerra a Páscoa tradicional e logo a seguir institui a Cristã, a Eucaristia: 
"Então havendo recebido um cálice, e tendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; porque vos digo que desde agora não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. ("aqui termina a Páscoa dos judeus") E tomando um pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós" (Lc 22,17-20). 





Para realçar o fato da identidade de Jesus como o Cordeiro Pascal, é que os Evangelistas que narram a Instituição da Eucaristia, mostram-na acontecendo no mesmo dia da Sua Morte, levando-se em conta que o dia para o judeu começava à tarde e terminava na tarde seguinte. É o próprio Jesus que vinculou todas, - Páscoa e Aliança, Eucaristia e Morte na Cruz, - tornando-as inseparáveis: 

Mt 26,26-28 Mc 14,22-24 Lc 22,19-20 1Cor 11,23-25
"Enquanto comiam, Jesus 
tomou um pão e, 
tendo-o abençoado, "Enquanto comiam, 
ele 
tomou um pão, 
abençoou, "E 
tomou um pão, 
"...: na noite em que foi entregue, 
o Senhor Jesus 
tomou o pão e, 

deu graças, depois de dar graças,
partiu-o 
e, distribuindo-o aos discípulos, partiu-o 
e distribuiu-lhes, 
partiu 
e distribuiu-o 
a eles, partiu-o 


disse: 
Tomai e comei, 
isto é o meu corpo.' dizendo: 
Tomai, 
isto é o meu corpo.' Dizendo: 
'Isto é o meu corpo e disse: 
'Isto é o meu corpo, 
que é dado por vós. 
Fazei isto em minha memória.' Que é para vós; 
fazei isto em memória de mim.' 
Depois, 
dando graças, 
tomou um cálice , 
e deu-lho 
dizendo: 'Bebei dele todos, pois Depois, 
dando graças, 
e, tomou um cálice 
deu-lhes 
e todos dele beberam. 
E disse-lhes: E, depois de comer, 
fez o mesmo 
com o cálice, 

dizendo: após a ceia, 
Do mesmo modo, 
também tomou o cálice, 
dizendo: 
isto é o meu sangue, 
o sangue 
da Aliança, 'Isto é o meu sangue, 
o sangue 
da Aliança, 'Este cálice é a 
Nova Aliança 
em meu sangue, 'Este cálice é a 
Nova Aliança 
em meu sangue; 
que é derramado por muitos para remissão dos pecados." que é derramado 
em favor de muitos." que é derramado 
em favor de vós." todas as vezes que dele beberdes, 
fazei-o em memória de mim."

Apesar de cada narrador pretender abordar um ângulo diferente, existem detalhes que lhes são comuns. Destaca-se, para este exame, o Sangue da Aliança, em Mateus e Marcos, e a Nova Aliança em Meu Sangue, em Lucas e Paulo. Em si dizem a mesma coisa, eis que, em Mateus e Marcos, Jesus é apresentado como aquele que "não veio revogar a Lei e os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento" (Mt 5,17), enquanto Lucas e Paulo, ao se referir à Nova Aliança, dizem o mesmo, naturalmente já se reportando às profecias, dentre as quais se destaca: "Eis que virão dias - oráculo de Iahweh - em que selarei com a casa de Israel (e a casa de Judá) uma Nova Aliança. Não como a Aliança que selei com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para fazê-los sair do Egito - minha Aliança que eles mesmos romperam, embora eu fosse o seu Senhor... Porque esta á a Aliança que selarei com a casa de Israel depois desses dias,... Eu porei a minha lei no seu seio e a escreverei em seu coração. Então eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. (...). Porque todos me conhecerão,(...), perdoarei a sua culpa e não me lembrarei mais de seu pecado" (Jr 31,31-34). "Selarei com eles um Aliança Eterna..." (Jr 31,39). Ao que se percebe, a Nova Aliança já era um termo conhecido da Sagrada Escritura, com o que Cristo era familiarizado e pretendeu inaugurá-la durante aquela cerimônia e determinando a sua repetição. Também, vários outros Profetas referiram-se ao advento do Messianismo (Ez 16,62; 34,23s; 36,26s; 37,24.26-28 etc.) com tal anúncio, traduzindo a consolidação da Aliança com a expiação dos pecados e, dentre outros fatos, como que coroando sua obra, a vinda do Espírito Santo, tão bem revelado por São Pedro no dia de Pentecostes (At 2,16-21 / Jl, 3,1-5). Da mesma forma, confirmando o seu "cumprimento" em Cristo, "São Paulo" a ela se refere categoricamente: 
"Eis por que Ele é mediador de uma Nova Aliança. A sua morte aconteceu para o resgate das transgressões cometidas no regime da Primeira Aliança; e, por isso, aqueles que são chamados recebem a herança ETERNA que foi prometida. (...) Ora, nem mesmo a Primeira Aliança foi inaugurada sem efusão de sangue. De fato, depois que Moisés proclamou a todo o povo cada mandamento da lei, ele tomou o sangue de novilhos e de bodes (...) e aspergiu o próprio livro e todo o povo, anunciando: Este é o Sangue da Aliança que Deus vos ordenou. Segundo a Lei, quase todas as coisas se purificam com sangue; e sem efusão de sangue não há remissão" (Hb 9,15-22). 

Cristo, na Ceia Eucarística, confirmando o que anunciara na Multiplicação dos Pães, estabelece indissolúvel união dEla com o sangue derramado na Cruz e o sangue aspergido por Moisés no Sinai: 
"Moisés tomou do sangue e o aspergiu sobre o povo, e disse: -'Este é o SANGUE DA ALIANÇA que Iahweh fez convosco...'" (Ex 24,8). 
É a esse Sangue da Aliança que Cristo se identifica, como Cordeiro Pascal, na Instituição da Eucaristia, tornando-o "o cálice da Nova Aliança em meu Sangue", tal como apresentam uniformemente Mateus e Marcos de um lado, Lucas e São Paulo de outro: 

MATEUS MARCOS LUCAS PAULO
Depois, tomou um cálice e dando graças deu-lho 
dizendo: 'Bebei dele todos, pois Depois, tomou um cálice e, dando graças, deu-lhes e todos dele beberam. E disse-lhes: 
E, depois de comer, fez 
o mesmo com o cálice, 
dizendo: 
'ESTE CÁLICE Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: 
ESTE CÁLICE É A
ISTO É O MEU SANGUE, 
O SANGUE 
DA ALIANÇA, ISTO É O MEU SANGUE, 
O SANGUE 
DA ALIANÇA, É A 
NOVA ALIANÇA 
EM MEU SANGUE, NOVA ALIANÇA 
EM MEU SANGUE; 
que é derramado por muitos para remissão dos pecados." que é derramado 
em favor de muitos." 
que é derramado 
em favor de vós." 
Todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim

Para Mateus, Jesus deveria se identificar com Moisés, e assim, com "a Lei e os Profetas" (Mt 5,17), motivo por que o sangue deveria ser "derramado por muitos para a remissão dos pecados", ou "bebido em sua memória", lembrando os sacrifícios levíticos, bem como o da própria Páscoa após Josias, em que "sem efusão de sangue não há remissão" (Hb 9,22): 
"Porque a vida da carne está no sangue. E este sangue eu vo-lo tenho dado para fazer o rito da expiação sobre o altar, pelas vossas vidas; pois é o sangue que faz expiação pela vida" (Lv 17,11 / Hb 9,22). 

"O sacerdote fará por ele o rito da expiação diante de Iahweh, e ele será perdoado, qualquer que seja a ação que ocasionou a sua culpa" (Lv 5,26). 
O derramar o sangue, a que Cristo em Mateus se refere, é o rito de expiação: 
"Se a sua oferenda consistir em holocausto de animal grande, oferecerá um macho sem defeito... Porá a mão sobre a cabeça da vítima e esta será aceita para que se faça por ele o rito de expiação. Em seguida imolará o novilho diante de Iahweh, e os filhos de Aarão, os sacerdotes, oferecerão o sangue. Eles o derramarão ao redor sobre o altar..." (Lv 1,3-5.11-12). 

Mas, esta expiação se dá na Cruz: 
"..., se alguém pecar, temos como advogado, junto do Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados..." (1Jo 2,1-2)."Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos o seu filho como vítima de expiação pelos nossos pecados" (1Jo 4,10) 

Jesus ao dizer-se SANGUE E SANGUE DA ALIANÇA durante a cerimônia da Ceia Eucarística, antecipa a expiação do sacrifício da Cruz. Esse é o motivo por que nos Sinóticos a Instituição da Eucaristia e o Sacrifício da Cruz são situados no mesmo dia, fazendo de ambos um só fato; e, São João, a aditar no seu Evangelho a menção de que ao pretenderem quebrar os ossos dos crucificados, não o fizeram com Jesus que já estava morto. Revela o Evangelista que se cumpria a prescrição referente ao Cordeiro Pascal, de que "nenhum osso lhe será quebrado" (Ex 12,46), e assim identifica-o com Jesus. Também, tão clara como a relação sacrificial, é a "memória" dessa vinculação indestacável ao Calvário: 
Depois, tomou um cálice e dando graças deu-lho dizendo: 'Bebei dele todos, pois ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DA ALIANÇA, que é derramado por muitos para remissão dos pecados." "...fazei-o em memória de mim" (Mt 26,26-28/Mc 14,22-24/Lc 22,19-20/1Cor 11,23-25). 

Além da relação sacrificial e de comunhão de uma refeição sagrada, e como bebendo o seu sangue recebe-se sua vida (Dt 12,23; Lv 17,11a), a EUCARISTIA É O SACRIFÍCIO PERFEITO DA NOVA ALIANÇA E FONTE DE VIDA, SACRAMENTO, FONTE DE SANTIFICAÇÃO, tal como dissera, "Eu vim para que tenham vida e a tenham em plenitude" (Jo 10,10). A Eucaristia atualiza e realiza todos aqueles valores que em "figura" eram pertinentes à Páscoa dos Judeus, que pela Aliança libertou o Povo de Deus do Egito e o conduziu à Terra Prometida; e, agora, "se cumprindo" na Páscoa Cristã, pela Nova Aliança, liberta o Homem do pecado e o conduz à Vida Eterna.

http://www.mundocatolico.org.br/Biblia/cap0305.htm


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