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A crise da paternidade: No lar & na igreja






Da mesma maneira que minha esposa e as crianças sabem que eles precisam mais e melhor de mim do que estão recebendo atualmente, a frustração que muitos católicos estão sentindo nos dias de hoje é o fruto da mesma crise da masculinidade — e da paternidade em particular — e como isso afeta o sacerdócio
Steve Skojec — OnePeterFive | Tradução Sensus fidei: Quando se trata de paternidade, eu me sinto um pouco confuso.
Apesar de todas as oportunidades que sete filhos proporcionam, eu percebi que não sou muito bom nisso. Apesar dos sentimentos de afeto paternal que tenho para com meus filhos incríveis, eu me esforço imensamente em minhas tentativas de entender, em um nível prático, o que eles realmente precisam de mim. Eu olho para os meus quatro garotos, e eu sei que eles precisam de alguém para ensiná-los a ser um homem, mas muitas vezes me pego com a sensação de que eu não posso dar o que não tenho. Passei a maior parte da minha vida adulta tentando descobrir como ser um homem, e meu progresso tem sido dolorosamente lento. O problema não é menos urgente com as minhas três meninas. Elas precisam de mim para ser o modelo, o arquétipo, a força subconsciente que as ajude a reconhecer o que estão procurando em seus próprios maridos. Para ser o tipo de homem com o tipo de atributos que eu ficaria feliz em vê-las casar. Para ajudá-las a formar um relacionamento saudável com o seu Pai Celestial.
Para ser honesto, eu sei que não sou esse cara. Ainda não.
Sim, eu amo a Deus. Eu amo a minha esposa e os meus filhos. Eu quero o melhor para eles. Eu daria a minha vida por eles, se uma ameaça surgisse — não tenho a menor dúvida quanto a isso — mas são os sacrifícios do dia-a-dia e do exemplo que eu, de alguma forma, não consigo dar.
Meu temperamento é intenso e áspero. Sou impaciente e, francamente, egoísta. Minha tendência natural é trabalhar primeiro (e na maioria das vezes) encaixar a família mais tarde. Eu sou bom com bebês e crianças mais velhas, mas me esforço para saber o que fazer com aqueles do meio, no momento em que eles mais precisam de mim. Minha tendência é fugir da participação nas tarefas domésticas porque tenho estado muito ocupado com a contemplação das ideias abstratas, empreendimentos criativos, ou atividades intelectuais. Eu estou sempre pensando no próximo artigo, ponderando o próximo projeto que preciso resolver. Eu passo meus dias absorvido em um estado muito distraído, olhando para uma tela, em um livro, ou para fora da janela. Como um escritor e artista, eu me inclino para habilidades não pragmáticas. Eu não tenho a mínima ideia de como ensinar os meus filhos a caçar, pescar, ou construir coisas, ou consertar as coisas — em grande parte porque ninguém sabia como me ensinar.
Em outras palavras, como tantos homens da minha geração, eu realmente não sei como ser um homem, muito menos um bom marido e bom pai. Tenho uma autoridade dada por Deus sobre a minha família à qual sou péssimo em usá-la bem. E há alguma coisa sobre ter que procurar isso na internet que parece frustrar a finalidade. Mas eu tenho que consertar as coisas, e, então, não tenho escolha, para minha humilhação. Não gosto de admitir isso, mas aqui estou eu, porque é extremamente importante, e sei que estou longe de estar sozinho. Na busca da sabedoria sobre este assunto, falei com outros homens que conheço e respeito, a maioria dos quais parece estar com as mesmas dificuldades também. Eu também procurei recursos que pudessem estar disponíveis na esperança de encontrar um bom conselho. Recentemente, encontrei dois em particular — a excelente palestra do Pe. Ripperger Chad sobre como ser um marido (você pode encontrá-lo nesta página, por favor leia os termos de seu acordo “penanceware”, em seguida, avance o cursor até encontrar a fala sobre “maridos”), e G. C. Dilsaver, As Três Marcas da Masculinidade: Como ser Sacerdote, Profeta e Rei de sua família.
Os dois juntos me fizeram perceber algo muito importante.
Pe. Ripperger diz que um homem tem duas funções principais: ser provedor para que sua esposa possa cuidar dos filhos e da casa, e proteger tanto a esposa como os filhos. O marido tem a obrigação de fazer essas duas coisas, e a mulher tem o direito a elas. Pe. Ripperger diz que essa provisão e proteção simplesmente não são de natureza material, mas também — e principalmente — espiritual. Que é dever de um marido obter para a sua esposa e seus filhos as graças de que necessitam para resistir à tentação e para cumprir as obrigações de seus estados na vida. Que, assim como é mais eficaz para um sacerdote vir e orar contra um mal que aflige uma família (Pe. Ripperger é um exorcista), é mais eficaz para um marido, em seu papel de sacerdote doméstico, orar para a proteção de sua família do que a esposa ou os filhos o fazerem. Ele diz que Satanás e seus asseclas, buscando o caminho de menor resistência, muitas vezes se lançará sobre as crianças e a esposa como sua primeira linha de ataque, a fim de perturbar a ordem do lar. Ao mesmo tempo, o marido — o chefe da família — na verdade suportará os piores ataques espirituais, na medida em que ele é o baluarte e principal defesa de sua família contra o mal. Pe. Ripperger diz que se a esposa ou os filhos estão tornando-se controversos e perturbando a ordem da casa ou usurpando a sua autoridade, ali está o marido e o trabalho do pai, não só para admoestá-los temporariamente, mas para oferecer-se a Deus em tudo o que é necessário para obter as graças de que necessitam para superar essas tentações. E quando ele não consegue fazer essas coisas, os problemas se agravarão.
Com estas ideias em minha mente, comecei a ler o livro de Dilsaver. Eu não teria ido longe antes de ter visto isso:
O clérigo católico, que representa a autoridade tanto teísta e eclesiástica, também ganhou o ódio de um mundo que se opõe à paternidade. Foi o clero, por façanhas de heroísmo sem precedentes, que espalhou as sementes da Fé para longe, trouxe e concretizou a civilização cristã. No entanto, as fileiras do clero também acarretaram sacerdotes e bispos Judas que traíram Cristo e Sua Santa Igreja com a feminização de alguns homens no sacerdócio, que contribuem grandemente para o escândalo que atualmente envolve a Igreja. Hoje há uma necessidade urgente de padres e bispos de caráter paternal intocado para testemunhar a verdadeira natureza de seu ofício profético e corajoso; e, novamente, é a família que detém a chave para o seu advento, porque a casa é o primeiro seminário, e o pai de família é o modelo principal para o futuro Reverendo Padre.
E foi aí que me ocorreu: da mesma maneira que minha esposa e as crianças sabem que eles precisam mais e melhor de mim do que estão recebendo atualmente, a frustração que muitos católicos estão sentindo nos dias de hoje é o fruto da mesma crise da masculinidade — e da paternidade em particular — e como isso afeta o sacerdócio.
Ás vezes, vejo-me desanimado pelo fato de que, como um leigo, sou forçado a confrontar os erros que ameaçam a nossa fé católica quase inteiramente sem o apoio até mesmo dos melhores do clero. Há um ressentimento que senti, e que ainda sinto, quando de outra maneira bons sacerdotes (ou bispos), dão desculpas porque se recusam a se manterem firmes entre os seus filhos espirituais e as ameaças que os põem em perigo. Estes homens parecem tão preocupados com carreiras eclesiásticas ou diplomacia com os seus rebanhos — de não perturbar o inimigo ou aqueles que caíram sob o feitiço do inimigo — que se esqueceram do dever que têm para com suas famílias para protegê-las. No caso dos sacerdotes, eles, às vezes, parecem mais preocupados com o que os seus bispos poderiam pensar do que naquilo que realmente seus filhos espirituais necessitam deles.
Ouvir essas desculpas — ser deixado sozinho por esses soldados de Cristo que deveriam estar na linha de frente desta batalha em um momento de imenso perigo espiritual — é como um pai que corre pela porta dos fundos, quando um assaltante rompe pela frente, deixando a mulher e os filhos para se defenderem sozinhos.
Ouvir padres protelar a pressão sobre seus bispos, neste momento de crise é como ter um pai que deixa o seu chefe entrar na casa e ter caminho livre para com sua esposa e abusar das crianças. “Eu realmente preciso deste trabalho para que possa pagar nossas contas”, explica ao seu filho incrédulo, com as mãos erguidas defensivamente. “Eu simplesmente não posso me dar ao luxo de tê-lo com raiva de mim.”
Nós temos o direito de esperar proteção e provisão de nossos clérigos. Eles têm o dever de nos prover. E enquanto eu entendo melhor do que muitos o quão difícil possa ser encontrar dentro de si mesmo o que é necessário para ser o homem que a sua família precisa quando você se sente perdido e inseguro, não é suficiente apenas levantar nossas mãos. Nós temos que fazer isso. Nós devemos. Temos que chegar no fundo e cair de joelhos e tropeçar seguindo em frente o melhor que pudermos, não importa o nosso medo, a incerteza, ou o mais provável do que qualquer um destes, o nosso desconforto. Nós vamos responder por isso quando estivermos diante do tribunal de Nosso Senhor. Será melhor ter algo interessante a dizer.
Como pais biológicos, deixando de servir nossas famílias através da morte de nós mesmos é uma abdicação do nosso dever, um pecado contra as nossas mulheres e crianças, e uma ofensa diante de Deus. Não ensinar nossos filhos a serem homens, porque não sabemos como ser homens é uma receita para a sua própria miséria e fracasso e nossa vergonha eterna. Não ensinar as nossas filhas a ter auto respeito e a como identificar a forma como elas devem ser tratadas por um homem não é melhor. Para homens com a paternidade espiritual transmitida através de Ordens Sagradas, não ensinar as verdades da fé aos seus filhos, dando-lhes os sacramentos salva-vidas que necessitam, e defendê-los dos erros que ameaçam atacar como um assaltante noturno é péssimo. Não há nenhuma razão aceitável para não sair da cama e enfrentar a origem de uma invasão. Mesmo que fazer isso custe nossas vidas.
O ciclo de desculpas tem que parar. Temos de descobrir nossas falhas e corrigi-las. Ainda que imperfeitamente fizermos isso, é muito melhor do que, absolutamente, nada fizermos.
Os homens de nossa época estão realmente todos quebrados e insuficientes de várias maneiras, e eu me coloco acima de todos eles a esse respeito. No entanto, temos de aprender a levar a sério nossos deveres. Temos de aprender a ter a coragem sobre nossas convicções, e a força para fazer o duro trabalho que elas exigem. Mais uma vez temos de aprender a ser homens, desembaraçados para defender nosso território — lutar e morrer se necessário — sacrificar-nos por aqueles que amamos como Cristo se sacrificou por sua Igreja.
Deus fez isso por nós, e exige isso de nós. Falhar não é uma opção.

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