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Conto de natal: O retorno das pombas

As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal Na Borgonha, as pedras nunca são brancas por vontade de Deus. Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas. No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias. Mais. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio. A Virgem Negra da catedral de Dijon Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis. O vento, a chuva, as geadas, as fumaças, tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes. Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem. Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores. Elas não mais...

"O modo de comunicar o sinal da paz na Santa Missa"

DEPARTAMENTO DAS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS DO SUMO PONTÍFICE O modo de comunicar o sinal da paz na Santa Missa São Pedro e São Paulo, apóstolos "Quando o leitor acabou, aquele que preside toma a palavra para incitar e exortar à imitação dessas belas coisas. Em seguida, levantamo-nos todos juntamente e fazemos orações por nós mesmos [...] e por todos os outros [...]. Terminadas as orações, damo-nos um ósculo uns aos outros"  (Justino de Nablus, Apologia I, 65). Estas palavras de São Justino, escritas por volta de 155, apresentam-nos pela primeira vez o sinal da paz durante a Santa Missa. Um primeiro aspecto que chama a nossa atenção, ao lermos este antiquíssimo testemunho, é o momento em que tal gesto tem lugar dentro da celebração: na conclusão da Liturgia da Palavra e antes da apresentação dos dons. Um segundo ponto que podemos evidenciar é o modo em que é realizado: "Damo-nos um ósculo uns aos outros". Esta expressão nos liga subitamente a dive...

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 15

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte:  http://www.apologetica.org Tradução:  Carlos Martins Nabeto [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje João Mandakuni, Marutas de Maipherkat, o poeta Balai e Rábula de Edessa]. JOÃO MANDAKUNI Bispo e confessor da fé na Igreja da Armênia, no século V. Propõe a fé da Igreja com toda a clareza: - “No sacrifício comes o corpo do Filho de Deus” (Carta sobre a Penitência 13; BKV 58,67). - “Tendes desprezado a santidade do corpo e sangue de Cristo que haveis recebido no tremendo e augusto altar” (Sermão sobre o Caráter dos Iracundos 9; BKV 58,155). - “Porque tratas desrespeitosamente o tremendo e sublime Sacramento? Não sabes que, no momento em que o Santo Sacramento vem ao altar, o céu se abre e dele desce e nos chega o Cristo; que os coros dos anjos voam do céu à terra e rodeiam o altar onde está o Santo Sacramento do Senhor; e que o Espírito preenche a todos?” (Sermão sobre a Devoção e o Respeito ao se Receber o Santo S...

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 14

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte:  http://www.apologetica.org Tradução:  Carlos Martins Nabeto [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Pedro Crisólogo, São Leão Magno e um autor anônimo do século V]. PEDRO CRISÓLOGO Brilhante e prolífico pregador da Palavra de Deus. Nasceu em Ímola, em 406, e morreu aí também, em 450. Bispo de Ravena, na Itália, entre 425 e 429. Notável defensor da primazia do Bispo de Roma sobre toda a Igreja. Conservam-se uns 170 sermões e escritos sobre temas bíblicos, litúrgicos, hagiográficos e teológicos. Sirvam estes textos, onde a presença real se soma ao aspecto sacrificial da Eucaristia. Comentando a Parábola do Filho Pródigo, afirma: - “Por ordem do pai [na parábola], mata-se o bezerro; porque era impossível matar Cristo Deus, Filho de Deus, sem que existisse a vontade do Pai (…) Este é o bezerro que diária e perpetuamente é imolado para o nosso banquete” (Sermão 5,6). E em outro sermão: - “Ele é o pão que, semeado na V...

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 13

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte:  http://www.apologetica.org Tradução:  Carlos Martins Nabeto - “Para os evangélicos [o pão eucarístico] ‘representa’ o corpo de Cristo; para os católicos, ‘é’ o corpo de Cristo” (Luis Romano, evangélico). - “Não discuto agora se o ‘é’ equivale a ‘representa’. Basta-me o que Cristo diz: ‘Isto é Meu corpo’. Contra isto, nem o demônio pode. O que eu quero é não deixar as palavras ao meu arbítrio, mas ao arbítrio e ordem do Senhor” (Martinho Lutero). [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Nilo de Ancira, São Jerônimo e Santo Agostinho de Hipona]. NILO DE ANCIRA Morreu por volta de 430. Expressa seu entendimento eucarístico deste modo: - “Não nos aproximemos do pão eucarístico como se fosse um simples pão, já que é a carne de Deus: carne preciosa, adorável e vivificante, porque vivifica os homens que morreram em razão dos pecados. A carne comum não pode vivificar a alma e foi isto o que Cristo, o Senhor, disse no Ev...

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 12

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte:  http://www.apologetica.org Tradução:  Carlos Martins Nabeto - “Esta tradição [da transubstanciação] foi introduzida na Igreja por volta de 300 d.C. [e] tornou-se dogma de fé em 1215″ (Marco de Vivo, evangélico). - “Porque não recebemos estas coisas como se fossem pão comum e bebida comum, pois (…) nos ensinaram que o alimento convertido em Eucaristia (…) é a carne e o sangue Daquele Jesus que Se encarnou por nós” (São Justino, Mártir, século II). - “Recebendo a palavra de Deus [na consagração, os dons do pão e do vinho] se convertem em Eucaristia, que é o corpo e o sangue de Cristo” (Santo Ireneu, Bispo, século II). [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Teodoro de Mopsuéstia, Cirilo de Alexandria, Proclo de Constantinopla e Teodoreto de Ciro]. TEODORO DE MOPSUÉSTIA  Bispo de Mopsuéstia, na Cilícia. Nasceu em 350 e morreu em 428. Com grandes talentos, tornou-se logo homem bastante versado nas Escrituras e n...

A Heresia Anti-litúrgica

 “É, portanto, apenas dentro da verdadeira Igreja que pode fermentar a heresia anti-litúrgica, ou seja, aquela heresia que surge como inimiga das formas de culto. Somente onde há algo para demolir o gênio da destruição tentará introduzir o veneno”. (Dom Prosper Guéranger) * * * A Heresia Anti-litúrgica Servo de Deus Dom Prosper Louis Paschal Guéranger, OSB Abade de Solesmes Dom Guéranger (1805 – 1875) Para se dar uma ideia dos estragos da seita anti-litúrgica, parece-nos necessário resumir a marcha dos pretensos reformadores do cristianismo ao longo de três séculos, e apresentar o conjunto de suas ações e de sua doutrina sobre a purificação do culto divino. Não há espetáculo mais instrutivo e mais apropriado para se fazer compreender as causas da rápida propagação do protestantismo. Certamente aí se verá a obra de uma sabedoria diabólica agindo e levando infalivelmente a vastos resultados. I. A primeira característica da heresia anti-litúrgica é o ódio pel...