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A GENTE FAZ BOLO NA CATEQUESE, POR QUE NÃO?


VAMOS FAZER UM BOLO?

Mais do que nunca a catequese, principalmente de adolescentes, precisa ser dinâmica e atrativa. E a catequista Glória Pessi, da Paróquia Divino Espírito Santo, de Varginha – MG, provou que isso é possível ao aceitar o desafio de fazer a “Dinâmica do Bolo”, que encontramos na internet, em vários blogs e sites (sem a citação de autoria). O TEMA do encontro é COMUNIDADE ou, mais especificamente, como se forma a Igreja e a função de cada pessoa dentro dela.

Segundo ela, os crismandos adoraram a ideia e lá foram eles fazer um bolo!

Primeiro é preciso achar um lugar ideal, que pode ser até a cozinha da Igreja, onde tenha os utensílios necessários e um forno. Depois levar os ingredientes e a sua receita preferida de bolo de chocolate. A ideia é convidar os adolescentes para fazerem o bolo juntos, cada um dando a sua contribuição na hora de fazer a massa e – por que não? - a cobertura também.

A proposta aos crismandos ou catequizandos é essa: Conversar sobre a IGREJA, como ela se constitui, quem são seus membros, como é o seu “corpo” e quem é sua “cabeça”.

Para isso, depois é interessante ver na Bíblia as várias cartas de São Paulo onde se fala da formação da Igreja como corpo místico de Cristo: 1Cor 12, 12; Cl 1, 18; Ef 5, 23; Rm 12, 4-5. E, em S. João, no capítulo 15, encontra-se as últimas exortações de Jesus. Ele diz, insiste e repete: "Eu sou a videira e vós os ramos... Permanecei em mim e eu ficarei em vós".

E é por isso hoje nós vamos fazer juntos um bolo, fazendo uma analogia à nossa Igreja. Da mesma maneira como fazemos um bolo com diferentes ingredientes, incorporando-os a mesma massa, Deus chama diferentes pessoas, com seus dons e talentos para fazer parte da Igreja. Vários e diferentes são os membros, porém, parte de um só corpo, assim como são vários e diferentes os ingredientes que usamos para fazer um bolo.

E a catequista, usando da sua oralidade e criatividade, vai incentivando os catequizandos a participarem da confecção do bolo, lembrando os ingredientes, à medida que os vai colocando, mais ou menos assim:

(Incentivar as respostas)...

O que colocamos primeiro num bolo?

O Açúcar. Na Igreja podemos encontrar inúmeras pessoas educadas e tementes a Deus, mas que ainda não fazem parte do “Corpo” dela, porque ainda não foram batizadas. Mas nós podemos colaborar com Cristo trazendo esta pessoa para nossa Igreja, encaminhando-a para receber os Sacramentos. (Colocar uma xícara de açúcar na bacia).
Que função tem o açúcar no bolo? Ele é doce, e o doce é sinônimo de alegria, energia. E essa é a imagem que a Igreja precisa ter. Uma comunidade "doce" é uma comunidade que acolhe, que chama, que transforma seu membros em irmãos que comungam do mesmo ideal, que querem a felicidade e alegria de todos. Para isso a Igreja precisa ser caridosa, praticar a comunhão de bens e ajudar os necessitados.

E agora, qual o próximo ingrediente?

A Margarina. Muito bem! Em nossa Igreja há muitas pessoas que escorregam aqui e ali pra fugir de participarem ativamente do Corpo Místico de Cristo. É o filho que evita os convites da mãe pra ir à Igreja, é o marido que arruma mil pretextos pra não ir também... Tem gente que vive “correndo” de Deus, sempre se escondendo, mais de si mesmo do que da própria fé. Mas um dia Deus os atrairá e não os largará mais. É só continuarmos rezando por eles. (Colocar duas colheres de margarina na bacia).

E depois da margarina o que vem?

Os Ovos. Você os coloca com casca no bolo? Não! Primeiro você tem que quebrá-los. Assim tem muita gente na Igreja que vive endurecida com relação às verdades do Evangelho, com relação aos Sacramentos, vive ranzinza, sempre reclamando de tudo até mesmo do padre, do tempo da Missa...Estas pessoas são como o ovo com casca que ao colocarmos num recipiente com água ele vai até o fundo e volta... Fica apenas molhado, mas não se mistura com ninguém... Esta casca dura que as envolve precisa ser quebrada, quem sabe se vocês se aproximarem delas e contar tudo que já aprenderam aqui, elas passem a se interessar mais pela Igreja e assim passem a ser membros ativos que se juntam aos outros para transformar a Igreja, não é verdade? Agora vamos juntar os ovos na massa. (peça duas crianças para participarem, cada uma quebrando um ovo).

Qual o próximo ingrediente?

O Sal. Nossa, vai sal no bolo que é doce? Sim! O sal é muito importante na receita de um bolo. Uma leve pitada de sal ajuda a realçar o sabor. O sal lembra aquelas pessoas que sempre reclamam, nunca são gratas pelas coisas que fazemos por elas. Sempre nos tratam com aspereza, é até difícil permanecermos perto delas. Mas Deus ama estas pessoas também e por isso elas estão em nossa Igreja. Porém nós só colocamos um pouquinho, pois o número de pessoas assim é bem pequeno (colocar uma pitadinha de sal na bacia).

A Farinha. A farinha de trigo tem gosto? Não! Ela nos lembra a vida de muitas pessoas, sem gosto, sem sabor, para muitos a vida nem tem sentido. Certa vez Jesus encontrou uma mulher assim, cuja vida não tinha sentido, ela era solitária, sempre pegava água separada das demais mulheres. Vocês sabem de quem estou falando? Da Samaritana. Mas um dia Jesus a encontrou e a trouxe para junto de si e a vida dela passou a ter sabor, alegria, paz e muita motivação. Logo ela voltou à cidade para contar aos outros tudo que Jesus fizera por ela. E nós, quanto podemos tornar a vida de muitas pessoas cheia de alegria, trazendo-os para nossa Igreja, levando-as até Cristo, não é verdade? (Vamos colocar duas xícaras de farinha de trigo na bacia).

E agora, o que acrescentamos na massa?

O Leite. Tiramos o leite da vasilha e colocamos numa xícara. Ao fazermos isto nos lembramos daquelas pessoas que seguem tudo e todos, creem em tudo que escutam e acabam não acreditando em nada. São pessoas que não têm convicção. Mas se atrairmos estas pessoas para nossa Igreja, levando-as até Jesus Cristo, então elas passarão a ter convicções. A acreditar somente em Deus e Nosso Senhor, a ter unicamente Ele como Mestre. (Podemos colocar duas xícaras de leite na massa).

Mais um ingrediente para deixar o nosso bolo ainda mais gostoso. Que ingrediente é este?

O chocolate. Este serve para lembrar que a Igreja de Jesus é um lugar para todos; independente de cor, raça, sexo, posição social, idade, etc. (Vamos colocar uma xícara de chocolate no bolo).

Opss! Íamos esquecendo um ingrediente, vocês sabem qual? Sem ele, nosso bolo não crescerá...


O fermento. Sem fermento a massa não cresce. Muitas vezes colocamos só uma pequena colherzinha no bolo, não é verdade? O fermento nos lembra aquelas pessoas que se julgam pequenas, incapazes, insignificantes, mas que aos olhos de Deus têm grande valor e possuem grandes talentos. Deus as vai atraindo para a Igreja e por causa delas a Igreja vai crescendo, se multiplicando, pois o talento que Deus deu a cada uma destas vai contribuindo com o crescimento da Igreja, fazendo-a frutificar e frutificar cada vez mais. (Vamos colocar o fermento na bacia).

Agora que usamos todos os ingredientes, falta mexermos...

Agora pergunto: Onde está a margarina, o açúcar, o sal, a farinha, o leite e os demais ingredientes que colocamos na massa? 

(Pausa para as repostas)  

Muito bem, estão todos juntos e misturados, já não é possível enxergar cada um em separado, embora todos conservem suas características, o que importa é que juntos formam o bolo.

Assim também o que importa para Deus é saber que você está aqui. Que você faz parte da Igreja e é membro do Seu Corpo, da comunidade. No bolo há algum ingrediente mais importante que o outro? Não! Todos os ingredientes são importantes. Assim é também na Igreja de Cristo, nenhum membro é mais importante que o outro. Todos precisam uns dos outros.  

E agora, vamos colocar a massa na forma? Ah, antes disso precisamos fazer algo, alguém sabe me dizer?

Sim! Precisamos untar a forma. Se não untarmos o que acontece? O bolo fica grudado. E há muitos membros na Igreja que ficam assim: Agarrados as quatro paredes da Igreja, só participam da Santa Missa e nada mais. Mas nós não queremos ser passivos, queremos ser também Igreja ativa, que leva a Boa Nova a todos que encontrarmos, pois bem, vamos untar a forma.

E agora? O bolo está pronto?

Não! Temos que colocá-lo no forno para assar. (Levar o bolo ao forno para assar. Caso não haja tempo hábil no encontro para isso, ter um bolo já assado para continuar a partilha). Agora precisamos dar tempo para o bolo assar. Assim como temos que dar um tempo para que muitos se voltem para nossa Igreja, a Igreja que Cristo fundou.

(Este tempo de espera é ideal para que se faça as leituras Bíblicas das cartas de São Paulo sugeridas no começo).

Bom, vamos ver se o bolo ficou pronto? 

(Buscar o bolo, e apresentá-lo coberto com um pano, só descobri-lo na frente das crianças... observar as diversas reações que eles terão, serão as mais variadas)

Mas, nós não falamos lá no começo, que a Igreja é um “Corpo”? E onde está a cabeça desse corpo? O corpo místico deve estar ligado a uma cabeça não é verdade? Quem seria?  (Pausa para as respostas). A cabeça do corpo místico é Jesus Cristo e o Sacerdote O representa.

Como vamos então “coroar”, colocar uma cabeça nesse corpo? Que tal colocar uma cobertura em nosso bolo?

(Levar uma cobertura de chocolate já pronta, colocar granulado ou decoração de sua preferência).

Precisamos, como o bolo, de uma “cobertura”, algo que nos envolva e nos proteja, que faça nossas vidas ainda mais belas e “saborosas”. Assim como este bolo, Cristo é essa proteção, é aquele que nos guia e nos leva a uma vida melhor.

Muito bem! Ficou maravilhoso o nosso bolo ! Este bolo é só para ser apreciado?


Se ficarmos aqui olhando e o conservarmos assim, com o tempo ele endurecerá, irá mofar e poderemos então jogá-lo fora, não é verdade? Mas sabemos que o bolo precisa ser consumido, repartido. Assim é a Igreja, não existe só pra ser admirada, mas para que façamos uso das coisas maravilhosas que temos nela, e falar disso por aí. Repartir o nosso “bolo”, o sabor da nossa fé com os outros.

Será que este bolo será suficiente pra nós?

Sim! Mas e se não fosse, o que aconteceria? Muitos ficariam sem comer. Isto significa que precisamos ser Igreja aonde formos, seja na escola, em nossa casa, na rua, etc. Precisamos levar o alimento, a palavra de Deus, anunciar a Boa Nova aonde formos; pra que outros também sejam alimentados. Queremos uma Igreja endurecida, mofada, guardada no armário? Ou uma Igreja que reparte a Palavra de Deus e Suas Graças? É para se pensar:

Que tipo de Igreja tenho sido?

Um bolo gostoso ou um bolo "batumado"?

Ângela Rocha

“Dinâmica do Bolo”.

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