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O problema da Igreja Católica são os próprios católicos

Por Felipe Marques – Fraternidade São Próspero





[Se você tem certeza de que já é santo e vive perfeitamente a vida cristã, se considera que está 'salvo' ou se pensa que, por ser Deus amor, então não é preciso aperfeiçoar-se e nem buscar o crescimento espiritual, não leia este artigo: ele contém exortações que não servem para você]


TALVEZ O TÍTULO desse artigo escandalize alguns dos leitores; talvez alguns queiram lê-lo somente por curiosidade; enfim, esse artigo é direcionado às pessoas de boa vontade, católicos acomodados ou que pensam estar em um alto grau de santidade e que por nutrir pensamentos como este, não se dão conta dos perigos do orgulho e da vaidade.


Afirma-se, acertadamente, que aquele que diz: “Eu sou humilde”, já demonstrou, da forma mais clara e direta possível, que não é o que diz ser! Como ensina São Paulo: “Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia” (I Cor 10, 12).


Você católico, nunca perca de vista que todos nós somos pó e que ao pó voltaremos (Gn 3, 19). Essas afirmações são feitas logo de início, porque hodiernamente uma das coisas mais fáceis de encontrar – principalmente nas redes sociais – é o julgamento desmedido e injusto [que fique bem claro aqui: não sou o que chamam “católico jujuba” e não defendo a postura "politicamente correta"; visto que se eu o fosse, nem esse texto seria escrito e nem eu seria católico].

Retomando: o julgamento injusto lançado aos quatro ventos sem objetivo de frutificação nem intenção de ganhar o irmão para Cristo (Mt 18, 15) é uma das infelizes realidades que devemos combater, e resulta muitas vezes do orgulho. Hoje, talvez muito mais do que antigamente, é preciso ser humilde.

Não é minha intenção censurar a correção fraterna, muito menos a divulgação de notícias verdadeiras e que podem ajudar muitos fieis a não serem enganados. A intenção aqui é que você, católico, deixe de ser um hipócrita sem-vergonha, ou que pelo menos lute contra isso! Não quero que você feche os olhos para os problemas no mundo, mas que abra-os com mais vigor para os problemas dentro de você. Pois, é muito fácil levantar bandeiras contra o aborto, e no fim de semana continuar dormindo com a namorada; ou continuar assistindo pornografia; continuar com a masturbação e a impureza; continuar com as fofocas... Concluindo: é fácil se preocupar somente com as atitudes externas e esquecer-se da vida interior! Esquecer-se que antes de converter alguém, você precisa se converter.

Lutar contra o aborto, por exemplo, é algo bom e um dever do católico, assim como lutar contra a injustiça e contra as drogas; essas atitudes devem ser motivadas – essas atitudes são boas e eu as apoio – entretanto, de nada vale preocupar-se somente com aquilo que é externo (por mais importante que seja) e deixar a própria alma perder-se e/ou tornar-se embotada pelo pecado. Você tem dúvida disso? Ora, veja o que o próprio Cristo ensina: “Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida (alma)? ” (Mc 8, 36)

Não adianta, em sua presunção e vaidade, pensar que você vai conquistar o mundo inteiro para Cristo, se você é incapaz de lutar para conquistar a si mesmo. É óbvio que ninguém pode dar a outrem aquilo que não possui. Logo, como você quer dar-se ao Senhor Jesus, que ensina que devemos amá-Lo de todo coração, com toda alma, com todo entendimento e com todas as forças (Lc 10, 27) se você não é, sequer, senhor de si?
Você é escravo dos mais absurdos pecados e mesmo assim ousa ainda levantar-se contra a Igreja Católica, contra os seus santos ensinamentos e contra aqueles que lutam para ter uma vida santa? Realmente, o padre Francisco Faus estava mais que correto quando afirmou: "Nenhum de nós comete a tolice de dizer com a boca: 'Eu sou Deus', mas muitos de nós o dizemos com a vida…".

O problema da Igreja é você, que pensa da seguinte forma ou diz frases como as que seguem: “Sou católico, mas não concordo com tal coisa que a Igreja ensina...”; “Sou católico, mas não vivo a castidade...”; “Sou católico, mas continuo com os mesmos pecados de 'estimação'...”. Será que muitos não percebem que, justamente, o fato de não avançarem na vida em Cristo se deve aos “mas” que acrescentam logo depois de dizer: “Sou católico ”?


Pretendo que você, caro leitor, não pense que será fácil o caminho de santidade, pois lutar contra o pecado – contra o “homem velho” – é algo que deveremos fazer até a morte! Quero justamente que você saiba que deve lutar externamente e também interiormente sem “mas” e sem reservas. Ademais, para os católicos não há dicotomia nessas duas realidades. Você não é católico apenas no domingo; é necessário ter uma Unidade de vida que, por refletir Cristo que habita em cada cristão, deverá iluminar o seu trabalho, os seus estudos e a sua família.


Não desanime! Nunca desista de lutar contra os inimigos do mundo e nunca desista de lutar contra aquilo de mundano que há em você! Aprofunde-se na Doutrina católica, reze mais, busque intimidade com Deus, clame pela ajuda da Santíssima Virgem, lute para ser obediente ao que a Madre Igreja ensina, vá se confessar com mais frequência... É certo que nem todas batalhas serão vencidas, mas, diante de Deus, seremos cobrados pelas cicatrizes da luta! Devemos fazer violência, sim! Porém, violência contra nós mesmos, pois “desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos Céus é arrebatado à força, e são os violentos que o conquistam” (Mt 11,12).


É muito fácil falar que a catequese é uma porcaria, que a liturgia é pessimamente celebrada, que muitos se perdem por falta de conhecimento... Fazendo isso do conforto do seu sofá! Quando o Papa Bento XVI reinava, muitos tentavam apontar diversos problemas em seu pontificado e na forma como ele conduzia o Rebanho; hoje, o Papa Francisco também recebe esses apontamentos e a pergunta que me faço é: será que todos os que acusam os erros alheios estão também acusando os próprios erros? Estão acusando-se a si mesmos? Óbvio que é muito cômodo vigiar os demais, quando na realidade deveríamos estar vigiando a nós mesmos. Apontar para si mesmo e para os próprios erros deve provocar em cada pessoa uma mudança para melhor, uma correção, e isso dói. Não querer mudar é a razão de muitos evitarem o autoconhecimento.


Não tenha medo de clamar a Deus o perdão, não tenha vergonha de humilhar-se diante d’Aquele que É (Ex 3, 14), e pedir ajuda para mudar, pois você é um miserável e a justiça começa quando o homem se reconhece miserável e acusa-se a si mesmo. Todas as ameaças que a Igreja sofre por parte dos muçulmanos, dos comunistas e dos globalistas não prevalecerão se os católicos sempre lutarem por santidade; como consequência dessa luta interior, esses mesmos católicos irão naturalmente lutar contra as ameaças exteriores. Porém, se os católicos continuam obstinados no pecado, a vitória tardará cada vez mais! Mesmo com os pecados dos fiéis, jamais perca a esperança na Igreja De Cristo, e nisso o papa Bento XVI nos ajuda e muito com a seguinte frase: “O mal fará sempre parte da Igreja. Aliás, se se considera tudo o que os homens – e o clero – fizeram na Igreja, isso se transforma numa prova a mais de que é Cristo que sustenta e que fundou a Igreja. Se dependesse somente dos homens, ela já teria afundado há muito tempo!”[1].


Que sua confiança não esteja nos homens; muito menos em si mesmo! Confie em Jesus Cristo, ora et labora, lute sempre por santidade e você estará verdadeiramente ajudando a Igreja Católica. Que seu exterior seja um resultado da sua vida interior com Cristo, e não o contrário! Que você possa amar o Senhor de fato, rasgando seu coração e não as suas vestes (Jl 2, 13) e que ao cair e distanciar-se devido ao pecado, volte todas as vezes para casa, como fez o filho pródigo!


Munda cor meum ac lábia mea, omnípotens Deus!




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1. Em entrevista concedida ao jornalista Peter Seewald no livro 'Luce del mondo. Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi', em 2010.


http://www.ofielcatolico.com.br

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