Mártires de Cunhaú e Uruaçu — Rio Grande do Norte, 1645
LADAINHA DOS SANTOS MÁRTIRES DE CUNHAÚ E URUAÇU
Santo André de Soveral, rogai por nós!
Santo Ambrósio Francisco Ferro, rogai por nós!
São Mateus Moreira, rogai por nós!
Santo Antônio Vilela Cid, rogai por nós!
Santo Antônio Vilela, o Moço, e sua santa filha, rogai por nós!
Santo Estêvão Machado de Miranda e suas duas santas filhas, rogai por nós!
São Manoel Rodrigues Moura e sua santa esposa, rogai por nós!
São João Lostau Navarro, rogai por nós!
São José do Porto, rogai por nós!
São Francisco de Bastos, rogai por nós!
São Diogo Pereira, rogai por nós!
São Vicente de Souza Pereira, rogai por nós!
São Francisco Mendes Pereira, rogai por nós!
São João da Silveira, rogai por nós!
São Simão Correia, rogai por nós!
Santo Antônio Baracho, rogai por nós!
São João Martins e seus sete santos companheiros, rogai por nós!
Santa filha de Francisco Dias, rogai por nós!
São Domingos de Carvalho, rogai por nós!
A Arquidiocese de Natal conserva essa Ladainha como uma das expressões da devoção aos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. (NATAL)
INTRODUÇÃO
A história dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu é uma das páginas mais profundas da história da Igreja Católica no Brasil.
No ano de 1645, no território que hoje corresponde ao Rio Grande do Norte, homens, mulheres, jovens e crianças foram mortos durante um período de conflitos políticos, militares e religiosos relacionado à ocupação holandesa do Nordeste.
A Igreja reconheceu que, entre as numerosas vítimas daqueles acontecimentos, 30 pessoas puderam ser identificadas com segurança e receberam reconhecimento oficial como mártires. São dois mártires de Cunhaú e 28 mártires de Uruaçu. (Vaticano)
Esses santos são chamados de Protomártires do Brasil, isto é, os primeiros mártires do Brasil a serem oficialmente reconhecidos e canonizados pela Igreja.
Foram beatificados pelo Papa São João Paulo II em 5 de março de 2000 e canonizados pelo Papa Francisco em 15 de outubro de 2017, na Praça de São Pedro, em Roma. (NATAL)
Sua festa litúrgica é celebrada em 3 de outubro.
O CONTEXTO HISTÓRICO
Para compreender o martírio, precisamos voltar ao século XVII.
A evangelização do território potiguar já estava em andamento. A Igreja estava presente por meio de sacerdotes e missionários, e comunidades católicas haviam se formado em diferentes localidades.
Nesse período, o Nordeste brasileiro encontrava-se profundamente envolvido nos conflitos relacionados à presença holandesa.
A situação também trouxe consequências religiosas. A população católica passou por momentos de restrição, medo e perseguição. Foi nesse contexto que aconteceram os dois grandes episódios de martírio: Cunhaú e Uruaçu. (Vaticano)
É importante compreender que os mártires não pertenciam a um exército religioso. Eram cristãos comuns, membros das comunidades, reunidos em torno da fé católica.
Entre eles estavam:
sacerdotes;
homens;
mulheres;
pais e mães;
jovens;
crianças;
famílias inteiras.
Por isso, a história dos mártires é também a história de uma comunidade cristã.
O MARTÍRIO DE CUNHAÚ
16 de julho de 1645
O primeiro grande episódio aconteceu no Engenho Cunhaú, atualmente no município de Canguaretama, no Rio Grande do Norte.
Era domingo.
Os fiéis estavam reunidos para participar da Santa Missa na Capela de Nossa Senhora das Candeias.
A celebração era presidida pelo sacerdote Padre André de Soveral, pároco da comunidade.
Durante a celebração, um grupo armado invadiu o local.
Os fiéis foram surpreendidos e impedidos de escapar.
O massacre aconteceu dentro do espaço sagrado, enquanto a comunidade estava reunida para a Eucaristia. O Vaticano registra que Padre André e Domingos Carvalho foram os dois mártires de Cunhaú identificados oficialmente. (Vaticano)
4. SANTO ANDRÉ DE SOVERAL
Sacerdote e mártir de Cunhaú
Santo André de Soveral era sacerdote diocesano e pároco da comunidade de Cunhaú.
Segundo o registro oficial da Santa Sé, nasceu em São Vicente, por volta de 1572.
Sua vida estava ligada ao serviço pastoral e à evangelização.
No dia 16 de julho de 1645, estava celebrando a Santa Missa quando aconteceu o ataque.
Ele não abandonou seu povo.
Permaneceu junto daqueles que lhe haviam sido confiados.
Sua morte tornou-se símbolo do sacerdote que permanece junto do rebanho até o fim.
O testemunho de Santo André pode ser resumido em uma palavra:
FIDELIDADE.
Fidelidade a Cristo, à Eucaristia e ao povo de Deus.
Santo André de Soveral, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO DOMINGOS DE CARVALHO
Leigo e mártir de Cunhaú
Domingos de Carvalho era um leigo da comunidade de Cunhaú.
Estava entre os fiéis reunidos para a celebração da Santa Missa naquele domingo de julho de 1645.
Seu nome foi preservado pela história como o segundo mártir identificado de Cunhaú.
Não possuímos uma biografia extensa sobre sua vida cotidiana. Entretanto, sua presença entre os mártires mostra algo muito importante: o martírio não pertence somente aos sacerdotes.
Domingos representa o cristão leigo que, no meio de sua vida comum, permaneceu unido à comunidade e à fé.
A Igreja reconheceu nele o testemunho de fidelidade até o fim.
São Domingos de Carvalho, rogai por nós!
(Vaticano)
ENTRE CUNHAÚ E URUAÇU
O massacre de Cunhaú não encerrou a perseguição.
Pelo contrário, o clima de medo se agravou.
Cristãos de outras comunidades procuraram abrigo, mas muitos foram capturados.
Entre os prisioneiros estava o sacerdote Ambrósio Francisco Ferro, vigário da comunidade de Natal.
Esses prisioneiros foram conduzidos para a região de Uruaçu, às margens do rio Potengi.
Ali aconteceu o segundo e maior grupo de martírios.
O MARTÍRIO DE URUAÇU
3 de outubro de 1645
No dia 3 de outubro de 1645, os prisioneiros foram conduzidos para Uruaçu.
O grupo incluía o sacerdote Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e vários outros homens, mulheres, jovens e crianças.
O Vaticano registra que soldados holandeses e aproximadamente duzentos indígenas estavam no local e que os cristãos foram mortos em razão da perseguição contra a fé católica. (Vaticano)
O episódio foi extremamente violento.
Os relatos históricos registram torturas e mutilações.
Mas, no centro dessa tragédia, a Igreja reconhece um testemunho de fé.
E entre todos os testemunhos, um tornou-se particularmente conhecido:
“Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”
Foi a profissão de fé de São Mateus Moreira.
SANTO AMBRÓSIO FRANCISCO FERRO
Sacerdote e mártir de Uruaçu
Ambrósio Francisco Ferro era sacerdote diocesano e pároco.
Era o sacerdote responsável pela comunidade de Natal.
Quando os cristãos foram perseguidos, ele também foi capturado.
Não abandonou seu povo.
Permaneceu com aqueles que estavam confiados ao seu ministério.
Foi conduzido para Uruaçu e morreu no dia 3 de outubro de 1645.
O testemunho de Ambrósio é particularmente importante para os sacerdotes:
o pastor não abandona suas ovelhas no momento do sofrimento.
Ele representa o sacerdote que permanece fiel a Cristo mesmo quando a fidelidade exige o sacrifício da própria vida.
Santo Ambrósio Francisco Ferro, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO MATEUS MOREIRA
O mártir da Eucaristia
Entre todos os mártires, Mateus Moreira tornou-se uma das figuras mais conhecidas.
Era leigo e estava ligado à comunidade cristã de Natal.
Seu testemunho ficou para sempre associado à Eucaristia.
Durante o martírio, quando lhe arrancaram o coração pelas costas, ele proclamou sua fé no Santíssimo Sacramento:
“Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”
Essa frase atravessou os séculos.
Mateus Moreira morreu proclamando aquilo em que acreditava.
Por isso, seu testemunho possui uma força extraordinária para todos os que participam da Eucaristia.
Ele nos ensina:
A Eucaristia não é apenas uma devoção; é encontro com Cristo.
A Arquidiocese de Natal destaca justamente essa profissão de fé como elemento marcante do testemunho de Mateus Moreira. (NATAL)
São Mateus Moreira, rogai por nós!
SANTO ANTÔNIO VILELA CID
Antônio Vilela Cid está entre os mártires identificados oficialmente pela Igreja.
Seu nome aparece entre os cristãos conduzidos para Uruaçu.
Era pai de Antônio Vilela, o Moço, e avô de uma das meninas que também morreram no martírio.
Sua presença revela uma das características mais fortes da história de Uruaçu:
famílias inteiras foram atingidas.
Não se tratava apenas de indivíduos isolados.
Pais, filhos e familiares estavam unidos naquela comunidade cristã.
Antônio Vilela Cid permanece como testemunho de fidelidade à fé no meio da perseguição.
Santo Antônio Vilela Cid, rogai por nós!
(Vaticano)
SANTO ANTÔNIO VILELA, O MOÇO, E SUA FILHA
Antônio Vilela, o Moço, aparece na documentação oficial entre os mártires de Uruaçu.
Ele morreu juntamente com sua filha.
O nome da criança não foi preservado.
E isso possui um significado muito profundo.
A história não conseguiu conservar o nome daquela menina.
Mas a Igreja conservou sua memória.
Ela não é lembrada pelo nome, pela profissão ou pela posição social.
É lembrada simplesmente como:
“A filha de Antônio Vilela.”
A santidade não depende da fama.
Deus conhece cada pessoa pelo nome.
Aquela criança, cujo nome não chegou até nós, está inscrita na memória da Igreja como testemunha de Cristo.
Santo Antônio Vilela, o Moço, e sua santa filha, rogai por nós!
(Vaticano)
SANTO ESTÊVÃO MACHADO DE MIRANDA
E suas duas filhas
Estêvão Machado de Miranda também está entre os mártires identificados.
Ele foi levado para o martírio juntamente com duas de suas filhas.
Novamente encontramos uma família inteira diante da perseguição.
Os nomes das duas meninas não foram preservados na documentação oficial.
A Igreja, porém, preservou sua memória.
A história de Estêvão e suas filhas nos leva a refletir sobre a família cristã.
A fé não é transmitida apenas por palavras.
Ela é transmitida pelo testemunho.
Santo Estêvão Machado de Miranda e suas duas santas filhas, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO MANOEL RODRIGUES MOURA
E sua esposa
Manoel Rodrigues Moura foi morto em Uruaçu juntamente com sua esposa.
Os documentos oficiais preservaram a identidade do casal, mas não registraram informações suficientes para reconstruir toda a sua vida.
E justamente por isso seu testemunho pode ser contemplado sob uma perspectiva especial:
marido e mulher permaneceram unidos até o fim.
A Igreja os apresenta juntos.
A fé que os unia durante a vida também aparece unindo-os na memória do martírio.
São Manoel Rodrigues Moura e sua santa esposa, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO JOÃO LOSTAU NAVARRO
João Lostau Navarro está entre os homens identificados como mártires de Uruaçu.
Seu nome aparece nos registros oficiais do processo de beatificação e canonização.
A documentação histórica mostra que ele estava entre os prisioneiros conduzidos para o martírio.
Embora os detalhes de sua vida pessoal sejam limitados, seu nome foi preservado porque sua morte foi reconhecida como testemunho da fé.
Isso nos lembra que muitos santos não tiveram uma biografia longa escrita.
Alguns tiveram apenas o testemunho de sua morte.
São João Lostau Navarro, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO JOSÉ DO PORTO
José do Porto foi outro dos homens levados para Uruaçu.
Seu nome está entre os 28 mártires reconhecidos daquele massacre.
Os registros históricos disponíveis não permitem reconstruir com segurança todos os detalhes de sua vida.
Isso não diminui seu testemunho.
Pelo contrário.
José do Porto representa milhares de cristãos cuja vida permaneceu escondida, mas cuja fidelidade foi conhecida por Deus.
São José do Porto, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO FRANCISCO DE BASTOS
Francisco de Bastos também estava entre os cristãos conduzidos a Uruaçu.
Seu nome aparece na documentação oficial da Igreja.
Assim como acontece com outros mártires do grupo, não possuímos uma biografia detalhada.
Sabemos, porém, que fazia parte da comunidade cristã atingida pela perseguição e que morreu em 3 de outubro de 1645.
Seu testemunho nos ensina que Deus conhece a fidelidade daqueles que a história humana muitas vezes não consegue descrever.
São Francisco de Bastos, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO DIOGO PEREIRA
Diogo Pereira é outro dos mártires oficialmente identificados.
Foi levado para Uruaçu e morreu juntamente com os demais companheiros.
Seu nome permanece associado à comunidade cristã que sofreu perseguição.
A escassez de informações biográficas exige respeito: não devemos atribuir a ele acontecimentos que não estejam documentados.
O que sabemos é suficiente para reconhecê-lo como testemunha de Cristo.
São Diogo Pereira, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO VICENTE DE SOUZA PEREIRA
Vicente de Souza Pereira aparece entre os homens levados como prisioneiros antes do martírio.
Ele está relacionado ao grupo que foi capturado durante os conflitos da época e posteriormente levado para Uruaçu.
Seu nome está entre os 28 mártires reconhecidos pela Igreja.
Vicente representa o cristão que, diante da ameaça, não abandonou a fé.
São Vicente de Souza Pereira, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO FRANCISCO MENDES PEREIRA
Francisco Mendes Pereira também pertenceu ao grupo de homens conduzidos para Uruaçu.
Seu nome foi preservado nos documentos da causa.
Ele foi morto em razão da perseguição que atingiu os católicos da região.
Seu testemunho pode ser contemplado como um convite à perseverança.
São Francisco Mendes Pereira, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO JOÃO DA SILVEIRA
João da Silveira está entre os homens que sofreram prisão e foram posteriormente conduzidos ao local do martírio.
Seu nome foi preservado entre os 28 companheiros de Santo Ambrósio Francisco Ferro.
Não possuímos informações suficientes para construir uma biografia extensa.
Mas conhecemos o essencial:
João da Silveira permaneceu entre aqueles que não renunciaram à fé.
São João da Silveira, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO SIMÃO CORREIA
Simão Correia foi outro dos homens capturados e conduzidos ao martírio.
Seu nome aparece nas relações históricas dos prisioneiros de Uruaçu e na documentação oficial da Igreja.
Sua vida pode ter sido simples e pouco conhecida.
Mas sua morte tornou-se uma profissão de fé.
São Simão Correia, rogai por nós!
(Vaticano)
SANTO ANTÔNIO BARACHO
Antônio Baracho foi um dos mártires do segundo grupo de Uruaçu.
Seu nome aparece expressamente na relação oficial dos 28 companheiros de Santo Ambrósio Francisco Ferro.
Poucos dados biográficos chegaram até nós.
Isso mostra uma característica da memória dos mártires:
não conhecemos tudo sobre suas vidas, mas conhecemos o suficiente para saber que deram testemunho de sua fé.
Santo Antônio Baracho, rogai por nós!
(Vaticano)
SÃO JOÃO MARTINS
E seus sete santos companheiros
Aqui encontramos um dos grupos mais significativos da história.
João Martins morreu juntamente com sete jovens companheiros.
A Igreja reconhece os oito como mártires.
Os nomes dos sete jovens não chegaram até nós.
Por isso são invocados juntos:
“São João Martins e seus sete santos companheiros.”
São, de modo especial, um testemunho para a juventude.
Eles mostram que a fé não é algo reservado aos idosos ou aos adultos.
A juventude também pode testemunhar Cristo.
Eles morreram jovens, mas sua memória atravessou quase quatro séculos.
São João Martins e seus sete santos companheiros, rogai por nós!
(Vaticano)
SANTA FILHA DE FRANCISCO DIAS
Entre os 30 mártires existe também uma menina, identificada apenas como filha de Francisco Dias, o Moço.
Seu nome não foi preservado.
Não sabemos sua idade exata com segurança a partir dos registros essenciais da causa.
Mas sabemos que ela estava entre as vítimas de Uruaçu.
Ela representa todas aquelas crianças e pessoas simples cuja existência parecia pequena aos olhos da história, mas cuja dignidade era infinita aos olhos de Deus.
A Igreja não deixou seu testemunho desaparecer.
Santa filha de Francisco Dias, rogai por nós!
(Vaticano)
OS SETE JOVENS COMPANHEIROS DE JOÃO MARTINS
Os sete jovens companheiros de João Martins merecem uma reflexão especial.
Não sabemos seus nomes.
A história não registrou suas profissões, suas famílias ou seus sonhos.
Mas a Igreja preservou a memória deles.
São sete jovens que morreram unidos.
Não são santos desconhecidos para Deus.
Sua ausência de nome nos documentos nos recorda uma verdade:
para Deus, ninguém é anônimo.
A Igreja os chama de “sete santos companheiros”.
E assim eles continuam sendo apresentados às novas gerações.
Sete santos jovens mártires, rogai por nós!
(Vaticano)
AS DUAS FILHAS DE ESTÊVÃO MACHADO DE MIRANDA
Duas meninas morreram juntamente com seu pai, Estêvão Machado de Miranda.
Seus nomes não foram conservados.
Elas fazem parte dos 30 mártires oficialmente reconhecidos.
São uma das expressões mais fortes da presença das famílias na história do martírio de Uruaçu.
A Igreja não esqueceu essas meninas.
Mesmo sem seus nomes, elas permanecem presentes na Liturgia e na memória dos santos.
Santas filhas de Estêvão Machado de Miranda, rogai por nós!
(Vaticano)
OS 30 MÁRTIRES — RELAÇÃO CORRETA
Para deixar o material historicamente correto, esta é a relação oficial dos 30 mártires:
Mártires de Cunhaú — 16 de julho de 1645
1. Santo André de Soveral — sacerdote
2. São Domingos de Carvalho — leigo
Mártires de Uruaçu — 3 de outubro de 1645
3. Santo Ambrósio Francisco Ferro — sacerdote
4. São Mateus Moreira — leigo
5. Santo Antônio Vilela Cid
6. Santo Antônio Vilela, o Moço
7. Filha de Antônio Vilela, o Moço
8. São José do Porto
9. São Francisco de Bastos
10. São Diogo Pereira
11. São João Lostau Navarro
12. Santo Estêvão Machado de Miranda
13. São Vicente de Souza Pereira
14. São Francisco Mendes Pereira
15. São João da Silveira
16. São Simão Correia
17. Santo Antônio Baracho
18. São João Martins
19–25. Os sete companheiros jovens de João Martins
26. São Manoel Rodrigues Moura
27. Sua esposa
28. Filha de Francisco Dias, o Moço
29. Primeira filha de Estêvão Machado de Miranda
30. Segunda filha de Estêvão Machado de Miranda
Essa relação corresponde ao elenco oficial apresentado pela Santa Sé: dois mártires em Cunhaú e 28 em Uruaçu. (Vaticano)
POR QUE SÃO CHAMADOS DE PROTOMÁRTIRES DO BRASIL?
A palavra protomártir significa, de maneira geral, aquele que é reconhecido como o primeiro mártir de uma determinada realidade ou Igreja.
Os Mártires de Cunhaú e Uruaçu receberam esse título porque são reconhecidos como os primeiros mártires do Brasil oficialmente canonizados pela Igreja.
Sua história é particularmente significativa porque não estamos falando apenas de três ou quatro pessoas.
Estamos diante de uma comunidade inteira:
sacerdotes, homens, mulheres, jovens e crianças.
A Igreja reconhece neles uma verdadeira comunidade cristã que permaneceu fiel em meio à perseguição.
A BEATIFICAÇÃO
Durante séculos, a memória dos mártires permaneceu viva no povo.
A devoção não desapareceu.
Em 1988, foi iniciado o processo de beatificação na Arquidiocese de Natal.
Depois de uma longa investigação histórica e teológica, o martírio foi reconhecido.
No dia 5 de março de 2000, o Papa São João Paulo II beatificou os mártires em Roma e os apresentou como Protomártires do Brasil. (NATAL)
A CANONIZAÇÃO
Dezessete anos depois aconteceu um momento histórico.
No dia 15 de outubro de 2017, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco canonizou os mártires.
A fórmula de canonização apresentou:
André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e seus 27 companheiros.
Assim, os 30 mártires passaram a ser oficialmente reconhecidos como santos para toda a Igreja. (NATAL)
Foi um momento histórico para o Rio Grande do Norte, para o Brasil e para a Igreja Católica.
O QUE OS MÁRTIRES ENSINAM À IGREJA DE HOJE?
A história dos mártires não deve ficar apenas no passado.
Ela precisa transformar nossa vida.
1. Eles ensinam fidelidade
Ser cristão não significa abandonar Cristo quando surgem dificuldades.
Os mártires permaneceram fiéis.
2. Eles ensinam amor à Eucaristia
São Mateus Moreira tornou-se símbolo da fé eucarística.
Sua última profissão de fé foi:
“Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”
3. Eles ensinam coragem
A coragem cristã não significa ausência de medo.
Significa permanecer fiel mesmo diante do medo.
4. Eles ensinam o valor da família
Em Uruaçu encontramos pais, mães, filhos e filhas.
A fé também era vivida dentro das famílias.
5. Eles ensinam que os leigos são protagonistas da missão
Entre os mártires havia sacerdotes, mas a maioria era composta por leigos.
A santidade pertence a todo o povo de Deus.
6. Eles ensinam a importância da comunidade
Os mártires não estavam isolados.
Eram membros de comunidades cristãs.
A fé precisa ser vivida em comunhão.
CUNHAÚ E URUAÇU: DOIS LUGARES, UMA ÚNICA FÉ
Cunhaú nos apresenta Santo André de Soveral e São Domingos de Carvalho.
Uruaçu nos apresenta Santo Ambrósio Francisco Ferro, São Mateus Moreira e seus companheiros.
São dois lugares diferentes.
São dois momentos diferentes.
Mas existe uma única história:
uma comunidade que permaneceu fiel a Cristo.
Por isso podemos dizer:
Cunhaú é memória da Eucaristia celebrada até o martírio.
Uruaçu é memória da fé proclamada até o sangue.
E os dois lugares formam uma única história de santidade.
UMA IGREJA DE SACERDOTES E LEIGOS
Talvez uma das mensagens mais importantes dos Protomártires para a Igreja atual seja esta:
a santidade é para todos.
Santo André era sacerdote.
Santo Ambrósio era sacerdote.
Mateus Moreira era leigo.
Domingos era leigo.
Havia homens, mulheres, jovens e crianças.
Havia famílias.
Essa diversidade mostra que Deus chama todo o seu povo à santidade.
PARA A CATEQUESE E A INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ
A história dos Protomártires pode ser utilizada de maneira muito rica na Iniciação à Vida Cristã.
Eles permitem trabalhar vários temas:
Batismo
Somos chamados a viver como discípulos de Cristo.
Eucaristia
Mateus Moreira nos conduz ao mistério da presença real de Jesus na Eucaristia.
Crisma
A fé precisa ser testemunhada com coragem.
Comunidade
Os cristãos não caminham sozinhos.
Família
A fé também é transmitida e vivida dentro de casa.
Missão
O discípulo é chamado a permanecer fiel e anunciar Cristo.
Santidade
Todos somos chamados à santidade.
UMA MENSAGEM PARA OS JOVENS
A presença de João Martins e seus sete companheiros jovens possui uma mensagem muito especial.
Vivemos em uma época em que muitos jovens procuram referências.
Os mártires nos apresentam uma juventude diferente.
Uma juventude que não colocou sua vida acima de Cristo.
Eles nos perguntam:
Qual é o lugar de Jesus em nossa vida?
Até onde estamos dispostos a permanecer fiéis?
Temos coragem de assumir nossa fé?
Os sete jovens não tiveram seus nomes preservados.
Mas sua fidelidade atravessou quase quatro séculos.
Seus nomes desapareceram da história.
Seu testemunho permaneceu.
UMA MENSAGEM PARA AS FAMÍLIAS
Estêvão e suas duas filhas.
Antônio Vilela e sua filha.
Manoel Rodrigues Moura e sua esposa.
São famílias presentes na história do martírio.
Isso nos leva a olhar para nossas próprias famílias.
Uma família cristã não é uma família sem dificuldades.
É uma família que procura permanecer unida em Cristo.
Os mártires nos convidam a recuperar:
a oração em família;
a participação na Missa;
a leitura da Palavra;
a catequese;
o perdão;
a caridade;
e a transmissão da fé aos filhos.
MARIA, RAINHA DOS MÁRTIRES
A Ladainha termina voltando nosso olhar para Nossa Senhora.
Maria é chamada de:
Rainha dos Mártires.
Ela conhece a dor.
Conhece a fidelidade.
Conhece a cruz.
Aos pés da Cruz, Maria permaneceu de pé.
Por isso, quando contemplamos os Mártires de Cunhaú e Uruaçu, podemos colocá-los sob o olhar de Maria.
Que ela nos ensine a permanecer junto de Jesus.
REFLEXÃO FINAL
Os Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu viveram há quase quatro séculos.
Mas sua mensagem continua atual.
Eles nos perguntam:
Somos realmente fiéis a Cristo?
Quando nossa fé é questionada, permanecemos firmes?
Quando somos chamados a escolher entre o Evangelho e as facilidades do mundo, qual caminho escolhemos?
Quando nossa família enfrenta dificuldades, continuamos rezando?
Quando a Eucaristia é celebrada, reconhecemos verdadeiramente a presença de Jesus?
São Mateus Moreira morreu proclamando:
“Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”
Essa frase pode tornar-se também a oração de nossa vida.
ORAÇÃO AOS SANTOS MÁRTIRES
Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu,
testemunhas fiéis de Jesus Cristo,
vós que permanecestes firmes na fé
em meio à perseguição e ao sofrimento,
intercedei por nós.
Santo André de Soveral,
ensinai-nos a permanecer fiéis ao nosso ministério.
Santo Ambrósio Francisco Ferro,
ensinai-nos a cuidar do povo de Deus.
São Mateus Moreira,
ensinai-nos a amar profundamente a Eucaristia.
São Domingos de Carvalho
e todos os mártires leigos,
ensinai-nos a viver nossa vocação cristã.
Santos jovens mártires,
ensinai nossos jovens a amar e seguir Jesus.
Santos pais, mães e crianças mártires,
abençoai nossas famílias.
Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu,
ajudai-nos a não ter vergonha de nossa fé.
Dai-nos coragem para testemunhar o Evangelho,
fidelidade para permanecer junto de Cristo
e perseverança para chegar à vida eterna.
Que, pela intercessão de Nossa Senhora,
Rainha dos Mártires,
possamos permanecer sempre unidos
a Jesus Cristo,
Caminho, Verdade e Vida.
Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, rogai por nós!
Santos Protomártires do Brasil, rogai por nós!
São Mateus Moreira, amigo da Eucaristia, rogai por nós!
Nossa Senhora, Rainha dos Mártires, rogai por nós!
Amém.
Os Mártires de Cunhaú e Uruaçu não pertencem somente ao passado.
Eles pertencem à Igreja de hoje.
Seus santuários, suas capelas e sua memória continuam reunindo peregrinos no Rio Grande do Norte. A Arquidiocese de Natal mantém santuários dedicados aos mártires em Cunhaú, Uruaçu e Natal, além de paróquias sob sua proteção. (NATAL)
A mensagem que atravessou os séculos pode ser resumida em três palavras:
FÉ — CORAGEM — FIDELIDADE
Fé para acreditar.
Coragem para testemunhar.
Fidelidade para permanecer com Cristo.
E, como São Mateus Moreira, que nossa vida inteira possa proclamar:
“LOUVADO SEJA O SANTÍSSIMO SACRAMENTO!”
Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, Protomártires do Brasil, rogai por nós!
