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O Querigma e a Transmissão da Fé no Contexto Atual




Introdução: O Grande Desafio da Transmissão da Fé

Caros catequistas, vivemos um tempo de grandes transformações. A grande questão que se coloca para o nosso Ministério da Iniciação à Vida Cristã é: como propor (ou repropor) o querigma e transmitir a fé às novas gerações? Vemos pessoas com profunda sede de sentido da vida e de referências, mas que nem sempre se dispõem a acolher um caminho para seguir.

Para responder a essa realidade, precisamos do "olhar do discípulo missionário que se nutre da luz e da força do Espírito Santo" (Evangelii Gaudium, n. 50). Trata-se de olhar o mundo com empatia para dialogar com ele, sabendo que Deus deseja salvar todas as pessoas, "para que todos tenham vida e vida em abundância" (Jo 10,10).

1. O Contexto Atual e as Suas Provocações

Para evangelizar com eficácia, precisamos compreender o ambiente cultural no qual os nossos catecandos e suas famílias estão imersos:

  • Pluralismo cultural e religioso e Relativismo: Vivemos a ausência de uma verdade absoluta aceita por todos, onde cada pessoa tende a definir em que e como acreditar.

  • Espiritualidade sem compromisso: Cresce uma religiosidade focada no próprio indivíduo (antropocentrismo), com culto desconectado da ética e sem engajamento com a vida do próximo.

  • Perda do pressuposto da fé: Como nos alertou o Papa Bento XVI na Porta Fidei (n. 2), a fé deixou de ser um pressuposto óbvio no dia a dia das famílias. Frequentemente, esse pressuposto é até mesmo negado.

  • Ativismo e Funcionalismo: Prioriza-se o saber, o fazer e o ter, em detrimento do ser, do viver e do crer. Mesmo na catequese, corremos o risco de focar tanto no organizar e no planejar que nos esquecemos de ser testemunhas da fé e viver a gratuidade.

Reflexão para o catequista: Estamos formando discípulos ou apenas adeptos? Se não houver testemunho de fé, encontro real com Jesus Cristo e vivência eclesial, tudo o que fazemos corre o risco de cair no vazio. Evangeliza-se muito mais pelo que somos do que pelo que fazemos.

2. O Querigma: O Encontro Transformador com Cristo

Diante das dificuldades, não adianta buscar culpados — nem culpabilizar os padres e catequistas, nem as crianças, jovens e famílias. A resposta da Igreja é o retorno ao essencial: o Encontro Pessoal com Jesus Cristo.

A fé não é mera teoria, nem pura emoção sentimental. Como nos ensina o Papa Bento XVI na Deus Caritas Est (n. 1):

"Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo."

O que é o Querigma?

O querigma é o Primeiro Anúncio. Não é apenas a primeira etapa cronológica da catequese, mas é o anúncio principal (qualitativo) que deve ressoar de forma continuada em todas as etapas da Iniciação à Vida Cristã (Evangelii Gaudium, n. 163).

Os Pontos Fundamentais do Anúncio Querigmático:

  1. O Amor de Deus: A revelação do amor de Deus, que tudo criou por amor.

  2. O Pecado: O pecado humano que impede a pessoa de responder a esse amor.

  3. Jesus Salvador: Jesus Cristo é a revelação do rosto amoroso de Deus, que nos salva e nos resgata.

  4. Conversão e Fé: A resposta humana a esse amor é crer, mudar de vida e seguir a Cristo.

  5. O Espírito Santo: É o Espírito Santo quem garante a experiência atualizada do amor de Deus na vida do crente.

  6. A Comunidade (Igreja): Ao acolher o amor de Deus, encontramos irmãos e irmãs para caminhar juntos.

3. A Comunidade Cristã e a Dimensão Social da Fé

A experiência do querigma não é um fato privado ou subjetivo (Lumen Fidei, n. 22). A fé nasce da escuta e destina-se a se tornar anúncio comunitário.

  • Vida em Comunidade: O encontro pessoal com Cristo leva naturalmente ao encontro com o "nós" da Igreja. A comunidade cristã integra toda a experiência de fé.

  • Compromisso Social: O querigma exige a participação social do cristão. O centro do Evangelho é a caridade. Como recorda a Evangelii Gaudium (n. 200), a opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se em solicitude e cuidado comunitário.

4. Uma "Igreja em Saída" e a Conversão Pastoral

Para que o querigma alcance os corações no contexto atual, a catequese precisa passar por uma conversão pastoral, superando a mera "pastoral de manutenção" e assumindo uma postura verdadeiramente missionária:

  • Igreja em Saída: O Papa Francisco nos exorta a não termos medo de sair ao encontro das periferias existenciais e geográficas. "Prefiro mil vezes uma Igreja acidentada que uma Igreja doente! Prefiro um catequista que corra corajosamente o risco de sair..."

  • Pedagogia da Presença e da Escuta: O destinatário da catequese é um interlocutor. Devemos escutá-lo, respeitar sua palavra e construir uma relação de amizade e acolhimento.

  • Linguagem Acessível e Alegre: O Evangelho é a Boa-Nova da Alegria. Devemos anunciá-lo de forma propositiva, viva e atualizada.

Roteiro para Encontro de Formação de Catequistas

1. Oração Inicial

  • Leitura Bíblica: João 10, 7-10 ("Eu vim para que tenham vida...") ou Lucas 24, 13-35 (Os discípulos de Emaús).

  • Invocar a luz do Espírito Santo para renovar o ardor missionário do grupo.

2. Leitura e Estudo das Questões

Dividir o texto acima com os catequistas e propor as seguintes pistas para partilha em grupos:

  1. Diagnóstico Pastoral: Em nossa comunidade/paróquia, temos agido mais como "organizadores de eventos/aulas" (fazer) ou como "testemunhas do encontro com Cristo" (ser)?

  2. Avaliação Querigmática: Nossos encontros catequéticos apresentam o Evangelho como uma Boa-Nova atraente ou como uma lista de regras e doutrinas frias?

  3. Escuta e Proximidade: Como podemos praticar a "pedagogia da escuta" e ir ao encontro das famílias e jovens de hoje que estão distantes da Igreja?

3. Compromisso do Catequista

Concluir o encontro convidando cada catequista a renovar o seu SIM pessoal a Jesus Cristo, assumindo o compromisso de fazer do seu grupo de catequese um verdadeiro espaço de acolhimento, escuta e anúncio do amor de Deus.

  • Oração Final: Agradecer a Deus pelo dom da vocação catequética e pedir a graça de ser uma testemunha alegre do Evangelho.

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