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Martírio de Inácio de Antioquia

Martírio de Inácio de Antioquia
Autor: Anônimo (Séc. I)
Tradução: Rafael Rodrigues

CAPÍTULO I - DESEJO DE INÁCIO PELO MARTÍRIO

Quando Trajano, há não muito tempo, subiu ao trono Romano, Inácio, o discípulo de João o apóstolo, um homem em todos os aspectos com um caráter apostólico, governou a Igreja de Antioquia com grande zelo. Tendo, com dificuldade, escapado das tempestades de inúmeras perseguições sob Domiciano, na medida em que, como grande piloto, pela guia da Oração e do Jejum, pela retidão dos seus ensinos e pelo seu [constante] trabalho espiritual, resistiu à enxurrada que rolou contra ele, temendo [apenas] não perder nenhum daqueles que eram fracos de coragem, mas também inaptos para sofrer por suas simplicidades. 

Portanto ele se alegrou diante do tranqüilo estado da Igreja, quando a perseguição cessou, por um curto período de tempo, mas se entristeceu consigo mesmo, pois não havia ainda conseguido chegar dar um verdadeiro testemunho de amor a Cristo, nem chegado ao perfeito posto de um discípulo. Então ele pensava consigo mesmo, que a profissão de fé que é feita pelo martírio, faria com que ele tivesse ainda mais intimidade com o Senhor.

Portanto, continuando uns poucos longos anos com a Igreja, como uma lâmpada divina, iluminou o entendimento de cada um pela exposição das [Sagradas] Escrituras, então ele [por  fim] alcançou o objeto de seu desejo.

CAPÍTULO II - INÁCIO É CONDENADO POR TRAJANO

Então, Trajano, no nono ano de seu reinado, sendo exaltado [com orgulho], depois da vitória sobre os Citas, Dácios e muitas outras nações.  Pensando no corpo religioso dos cristãos, estava ainda querendo completar a subjugação de todas as coisas a ele mesmo, e [Então] ameaçava-os com a perseguição a menos que eles concordassem em adorar os demônios, como fizeram todas as outras nações, assim obrigando a todos os que tinham religião fazerem sacrifícios aos demônios ou então morrer.
Portanto o Nobre Soldado de Cristo, [Inácio], temendo pela Igreja de Antioquia, foi, de acordo com o seu próprio desejo trazido para diante de Trajano, que naquele tempo estava em Antioquia, mas  estava com pressa, para ir contra a Armênia e os partos. E quando Inácio foi colocado diante do imperador Trajano [este príncipe] disse lhe: “Quem é você, perverso vilão, que pões-se a transgredir nossos comandos, e persuadir aos outros a fazerem o mesmo, fazendo com que eles miseravelmente pereçam?”


Inácio respondeu: “Ninguém deve chamar Teóforo de maligno, porque todos os espíritos malignos se afastaram dos servos de Deus. Mas se, porque eu sou um inimigo desses [espíritos], você me chama de maligno, em relação a eles, eu concordo com você, pois na medida em que eu tenho Cristo, o Rei do céu [dentro de mim], eu destruo todas as armas destes [espíritos malignos].”

Trajano perguntou: “e quem é Teóforo?”

Inácio replicou:Ele é aquele que tem Cristo dentro de seu coração.”

Trajano disse: “Nós, então, não parecemos-lhe que temos os deuses em nossas mentes, cuja assistência desfrutamos na luta contra os nossos inimigos?”

Inácio respondeu: “Você está errado quando chama os demônios das nações de deuses. Pois há um só Deus, que fez o céu, a terra e o mar, e tudo o que neles há; e um Jesus Cristo, O Filho Unigênito de Deus, cujo o reino eu ei de desfrutar.”

Trajano disse: “você está falando daquele que foi crucificado sob Pôncio Pilatos?”

Inácio replicou: “Sim eu falo dele, aquele que crucificou meu pecado, com ele que foi o inventor disto, e quem condenou [e precipitou] todo o engano e malicia do diabo debaixo dos pés de quem o carrega em seu coração. Verdadeiramente então; por isso está escrito “Habitarei no meio deles e com eles caminharei.” 2 Coríntios  6, 16.”

Então Trajano pronunciou a seguinte sentença: “Nós ordenamos que Inácio, que afirma que carrega dentro de si, aquele que foi crucificado, seja compelido pelos soldados e levado para a grande [cidade] Roma. Para lá ser devorado pelas bestas, para o divertimento das pessoas.”

Quando o Santo Mártir ouviu esta sentença, ele chorou de alegria e agradeceu: “O Senhor, eis que tu me concedes a honra de te mostrar o meu perfeito amor, e ter me feito ser preso com correntes de ferro como Teu Apostolo Paulo.”
Tendo dito assim, Ele então, com prazer, apertou as correntes sobre ele; e quando fez a primeira oração pela igreja, e a levou ao senhor com lágrimas, ele foi levado as pressas pela crueldade dos soldados, como um carneiro diferenciado, o líder de um Bom rebanho, e foi levado para Roma, para lá servir de alimento para as bestas sanguinárias.
CAPÍTULO III - INÁCIO NAVEGA PARA ESMIRNA

Portanto, com entusiasmo e alegria, pelo de seu desejo de sofrer, ele desceu de Antioquia a Selêucida, de onde ele partiu. E depois de grande sofrimento, veio a Esmirna, onde desembarcou com grande alegria, e apressou-se para ver o santo Policarpo, seu [ex-] condiscípulo, e [agora] bispo de Esmirna. Ambos tinham, em tempos antigos, sido discípulos de São João Apóstolo. Sendo então trazido até ele, e tendo comunicado a respeito de alguns dons espirituais, e gloriando-se de suas amarras, ele suplicou a Policarpo para ajudar-lo na realização de seu desejo; fervorosamente de fato pedindo  isto a toda a Igreja (para as cidades e igrejas da Ásia que tinha recebido o Santo Homem através de seus bispos e presbíteros e diáconos, todos se apressando para encontrá-lo, para que de alguma forma pudessem receber dele algum dom espiritual), mas acima de tudo, o santo Policarpo, que, por meio das feras, ele logo desapareceria deste mundo,  para se manifestar diante da face de Cristo.
CAPÍTULO IV - INÁCIO ESCREVE AS IGREJAS

E estas coisas ele assim falou e assim testemunhou, mostrando o seu amor para com Cristo, perseverando como quem estava prestes a garantir o céu, através de sua boa profissão de fé, e pela seriedade daqueles que juntaram suas orações as dele em consideração a sua luta próxima luta; E para dar a recompensa as igrejas, que vieram encontrá-lo através de seus governantes, enviou-lhes cartas de agradecimento, eles que caíram na graça espiritual, juntamente com oração e exortação. Então, vendo todos os homens consternados por ele, e temendo que o amor dos seus irmãos pudesse impedir o seu zelo para com o Senhor, enquanto a reta porta do martírio era aberta, ele escreveu a Igreja dos Romanos a epistola que aqui está anexada.

CAPÍTULO V - INÁCIO É TRADUZIDO PARA ROMA

Tendo, portanto, por meio desta epistola, informado, o seu desejo, àqueles irmãos que estavam em Roma, que não queriam o seu martírio; e partindo de Esmirna (para Cristóforos foi pressionado pelos soldados a se apressar para o espetáculo público na poderosa [cidade] Roma, que, sendo dados paras as bestas vorazes na vista do povo romano, ele pudesse alcançar a coroa pela qual ele se esforçou) desembarcou próximo a Trôade. Então, indo daquele lugar para Neápolis, ele foi [a pé] por Felipo através da Macedônia, e na região de Épiro, que é próximo a Epidamno; encontrou um navio em um dos portos, então navegou pelo mar Adriático, e adentrando nele em Tirreno, ele passou por várias ilhas e cidades, até que Putéoli veio à vista, ele estava ansioso para desembarcar ali, tendo o desejo de trilhar os mesmos passos do apóstolo Paulo (Atos 28:13-14). Mas um vento violento começou e não lhe permitiu fazê-lo, o navio foi conduzido rapidamente a diante, então, ele simplesmente expressou sua alegria para com o amor dos irmãos daquele lugar, e continuaram a navegar. Continuando a desfrutar de bons ventos, nós ficávamos perturbados de dia e de noite, tristes [como fizemos] pela partida próxima de nós deste homem justo. Mas para ele acontecia exatamente como ele desejava, já que ele estava com pressa, para o mais breve possível deixar este mundo, para que pudesse alcançar o Senhor a quem ele amava. Navegando então para o porto romano, os esportes ímpios estavam prestes a acabarem, os soldados começaram a se incomodar com a nossa lentidão, mas o bispo alegremente cedeu à urgência.

CAPÍTULO VI - INÁCIO É DEVORADO PELAS BESTAS EM ROMA

Eles nos levaram, portanto, do lugar chamado, Portus; (a fama de tudo relacionado ao Santo Mártir já tinha sido espalha por todo o lugar) Nós encontramos os Irmãos cheios  de pavor e alegria; regozijando na verdade por que eles iriam encontrar Teóforo, mas com medo por que um homem tão eminente estava sendo levado à morte.

Agora ele ordenou alguns a ficarem em silencio que, em seu fervoroso zelo, estavam dizendo que iriam acalmar as pessoas, para que eles não exigissem a destruição deste homem Justo.

Ele estando imediatamente ciente disto através Espírito, e tendo saudado todos eles, implorou a todos a mostrarem todo o seu afeto para com ele, e tendo se alongado [até esta hora], mas do que em sua epistola, tendo convencido eles, para não impedi-lo de chegar ao Senhor, ele então, depois, com todos ajoelhados ao seu lado suplicou ao Filho de Deus em favor das Igrejas, para que um fim fosse dado a perseguição, e que o amor mutuo pudesse continuar entre os irmãos, foi então levado com toda a pressa para o anfiteatro. Então, Jogado lá, de acordo com o decreto de Cesar promulgado há algum tempo, o espetáculo publico estava preste a acabar (pois era um dia solene, como eles consideravam, sendo que é chamado de Décimo Terceiro dia na língua dos Romanos, no qual o povo estava acostumado a se agrupar numa imensa multidão.), ele então assim foi levado para as bestas ao lado do templo, para que por meio deles o desejo do Santo mártir Inácio pudesse sem realizado plenamente, de acordo com o que está escrito: O desejo do justo é aceitável (cf. Provérbios 10, 24) [a Deus], para que ele não pudesse ser um problema para nenhum dos seus irmãos no que diz respeito a juntarem seus restos mortais, assim como ele tinha expressado em sua epistola um desejo de antemão para que seu fim pudesse ser completo. Então somente as partes mais duras dos seus Santos restos mortais foram deixadas, em seguida transladados para Antioquia e envoltas em linho, como um inestimável tesouro deixado para a Santa Igreja pela graça que estava no Mártir.

CAPÍTULO VII - INÁCIO APARECE EM UMA VISÃO APÓS A MORTE

Agora estas coisas aconteceram no décimo terceiro dia antes das calendas de Janeiro, que é em 20 de Dezembro, Quando Sura e Sinésio eram cônsules dos romanos pela segunda vez.

Tendo, nós mesmos, sido testemunhas oculares destes acontecimentos, e tendo passado a noite toda em lágrimas dentro de casa, suplicando ao Senhor de joelhos e com muita oração para que Ele desse nos, homens fracos, plena garantia a respeito das coisas que haviam se sucedido. Aconteceu que quando estávamos cochilando, alguns de nós viram o abençoado Inácio de repente de pé em nossa frente e nos abraçando, enquanto outros o viram novamente orando por nós, e outros ainda viram-no todo suado, como quem acabou de chegar de um trabalho pesado, e esperando o Senhor. Quando, portanto, Nós tendo, com grande alegria, testemunhado estas coisas, e comparado nossas diversas visões juntos, cantamos louvores ao Senhor, o doador de todas as boas coisas, e expressamos nosso sentimento de Alegria para com o Santo [Mártir];  e agora tendo feito conhecido a vocês, o dia e a hora deste martírio, nós poderemos ter comunhão com o campeão e nobre Mártir de Cristo, o qual pisou a cabeça de Satanás, e aperfeiçoou a jornada que, por amor a Cristo, ele desejou, em Cristo nosso Senhor; pelo qual e com o qual, seja a glória e poder para o Pai com o Santo Espírito, Para Sempre! Amem.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, Vol. 1. Revisado, editado e traduzido por Apologistas Católicos. 

Disponível em: http://www.newadvent.org/fathers/0123.htm

Agradecimento pelo trabalho de tradução, site Apologistas Católicos.
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